Governo colombiano e Farc tentam superar a crise e retomar os diálogos de paz

  • Por Agencia EFE
  • 02/12/2014 22h31
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Havana, 2 dez (EFE).- As equipes negociadoras do governo colombiano e das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) realizaram nesta terça-feira uma reunião de quatro horas em Havana, dedicada a superar a crise que levou a uma suspensão dos diálogos de paz e a retomar esse processo o mais rápido possível.

Estes contatos transcorreram em um ambiente de “cordialidade e respeito”, segundo disseram à Agência Efe fontes ligadas aos negociadores, embora não tenham tomado nenhuma decisão sobre uma possível data para retornar à mesa de diálogo, motivo pelo qual devem voltar a encontrar-se amanhã.

A libertação no domingo passado do general Ruben Darío Alzate deu novo fôlego ao processo de paz, já que esta era a condição imposta pelo presidente Juan Manuel Santos para retornar à mesa de Havana.

No entanto, o reinício das conversas não foi imediato após a libertação de Alzate e uma delegação reduzida da equipe negociadora do governo viajou ontem a Havana para estabelecer com a guerrilha as regras do jogo que guiarão o processo a partir de agora.

Com este fim, se encontram em Havana o chefe negociador, Humberto de la Calle; o alto comissário para a Paz, Sergio Jaramillo; e dois generais reformados, Jorge Humberto Mora (do exército) e Óscar Naranjo (da polícia).

Por conta deste fato, as Farc intensificaram sua reivindicação de uma trégua bilateral durante as negociações, algo que o governo sempre rejeitou por considerar que a insurgência se aproveitou disso em outras ocasiões para fortalecer-se militar e politicamente.

A captura do general foi justificada pela guerrilha como um “fato normal” no contexto de um conflito, motivo pelo qual aproveitaram para reavivar o debate sobre a necessidade dessa trégua que eles reivindicam desde o início do processo e que também é apoiada por grupos civis e coletivos de vítimas.

A pressão sobre este assunto parece ter balançado o presidente Santos, que em entrevista concedida hoje a uma rádio colombiana se referiu à possibilidade de diminuir a intensidade do conflito como uma alternativa à cessação bilateral do fogo proposta pela insurgência.

O presidente expressou ainda sua vontade de que o processo de paz seja retomado antes do final do ano e considerou que a libertação do general é um “capítulo fechado” e que “é preciso seguir adiante”.

Por sua parte, a guerrilha, embora também reitere sua disposição de voltar a negociar, parece ter mais restrições que o governo, já que em comunicado divulgado ontem ressaltou que o Executivo não pode impor agora uma data de reinício do diálogo após ter estabelecido sua suspensão.

As Farc destacaram que é necessário “recompor as regras que conduzam o andamento do processo, pois o governo as rompeu avariando assim a ponte de confiança”.

Os diálogos de paz estão suspensos desde o dia 16 de novembro, quando a guerrilha capturou o general Alzate, o cabo Jorge Rodríguez e a advogada Gloria Urrego, em uma área afetada pelo conflito armado do departamento de Chocó.

A presença de Alzate nessa área, vestido de civil, sem escolta e sem avisar às autoridades, quebrando todos os protocolos de segurança, suscitou dúvidas e receios que ainda não foram esclarecidos e que levaram o general a apresentar ontem sua baixa do exército.

Segundo disse em uma declaração lida ontem para a imprensa, Alzate decidiu ir vestido de civil e desarmado ao remoto casario de Las Mercedes, onde foi sequestrado, como parte de sua “aproximação” à comunidade para implementar um programa de desenvolvimento econômico, sem levar em conta os riscos aos quais se expunha.

Embora tenha deixado muitas dúvidas no ar, a explicação satisfez ao presidente, que afirmou que não tem “por que não acreditar”, pois Alzate é “um oficial muito sério” que se deu conta que, com sua atuação, “pôs sua instituição e seu país em dificuldades” e por isso tomou a decisão de pedir baixa das forças militares.

No entanto, para outros setores da sociedade colombiana a situação não está tão clara e, apesar de condenarem o sequestro, consideram que o caso merece explicações mais amplas.

Uma dessas vozes é a do procurador-geral, Alejandro Ordóñez, forte crítico das Farc, que anunciou hoje que escutará Alzate para conhecer melhor sua versão dos fatos.

Apesar de tudo, a disposição das partes de não deixar passar a oportunidade de pôr fim a um conflito armado que dura mais de cinco décadas pode ser atestada pelo fato de que, apenas três dias depois deste sequestro, o governo e as Farc alcançaram um acordo para libertar todos os reféns o mais rápido possível.

Por meio desse acordo, Alzate e seus acompanhantes foram libertados no último domingo em uma operação coordenada pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e da qual também participaram os países fiadores do processo de paz, Cuba e Noruega. EFE

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