Hillary Clinton define massacre na Carolina Sul como “terrorismo racista”
Washington, 23 jun (EFE).- A pré-candidata presidencial democrata Hillary Clinton definiu nesta terça-feira como “um ato de terrorismo racista” o massacre da semana passada em uma igreja da comunidade negra de Charleston, na Carolina do Sul, e pediu que as lojas dos Estados Unidos parem de vender produtos com a polêmica bandeira confederada.
Em discurso sobre a questão racial nos Estados Unidos, Hillary empregou um termo, “terrorismo”, que o FBI (polícia federal americana) evitou utilizar de forma oficial para descrever o tiroteio no qual um jovem radical branco matou nove fiéis negros.
O tiroteio foi “um ato de terrorismo racista realizado em uma casa de Deus”, disse Hillary em uma igreja de Florissant, uma comunidade próxima a Ferguson (Missouri), onde o assassinato de um jovem negro por um policial branco há quase um ano gerou protestos e trouxe à tona novamente o debate sobre o racismo no país.
O Departamento de Justiça dos EUA indicou na sexta-feira passada que está investigando o tiroteio em Charleston “de todos os ângulos, entre eles como um crime de ódio e como um ato de terrorismo doméstico”, segundo palavras da porta-voz Emily Pierce.
No entanto, o diretor do FBI, James Comey, disse também na sexta-feira que não considera que o incidente em Charleston se enquadre na descrição de um ato terrorista.
“O terrorismo é um ato de violência ou uma ameaça que procura tentar influenciar em uma entidade pública ou na população, razão pela qual é mais um ato político, e baseando-me no que sei, não considero que (o tiroteio em Charleston) tenha sido um ato político”, declarou Comey em entrevista coletiva em Baltimore (Maryland).
Em seu discurso de hoje, Hillary também respaldou a possibilidade de retirar a bandeira confederada do parlamento estadual da Carolina do Sul, como se dispõem a debater os legisladores desse estado, e de outros territórios sulinos onde essa polêmica insígnia está exposta de forma oficial.
“(A bandeira) não deveria tremular ali (no parlamento da Carolina do Sul). Não deveria tremular em nenhum lugar”, afirmou a ex-secretária de Estado.
Hillary também elogiou os anúncios do Wal-Mart e de outras redes, como Amazon, eBay e Sears, que deixarão de vender produtos que mostrem a bandeira confederada, e pediu que todas as lojas do país sigam seu exemplo.
O massacre na Carolina do Sul fez aumentar a polêmica sobre a bandeira confederada, adotada na Guerra Civil dos EUA pelos estados separatistas – e favoráveis à escravidão – e que para muitos americanos representa um emblema racista.
No entanto, Hillary considerou que deixar de desfraldar a bandeira confederada é “apenas o começo” do que o país deve fazer, e exigiu reformas mais profundas perante os problemas do racismo e da violência armada, como programas de educação e legislação para o controle de armas.
“A longa luta dos Estados Unidos com o tema racial está longe de ter terminado”, concluiu Hillary. EFE
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