Jeb Bush diz que construir muro na fronteira EUA-México “não é realista”

  • Por Agencia EFE
  • 24/08/2015 23h59
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Austin (EUA), 24 ago (EFE).- O pré-candidato republicano à presidência dos Estados Unidos Jeb Bush disse nesta segunda-feira que a proposta de seu concorrente e correligionário Donald Trump de construir um muro ao longo da fronteira com o México “não é realista”, e garantiu que o projeto “não será implementado”.

Em visita à cidade de McAllen, no Texas, uma das portas de entrada aos Estados Unidos para milhares de imigrantes ilegais, Bush se reuniu com autoridades locais, expôs suas propostas migratórias e participou de um evento para arrecadar fundos.

A imprensa americana comparou a viagem do ex-governador da Flórida com a que Trump fez em julho à também fronteiriça cidade de Laredo (Texas), na qual o magnata insistiu em seu propósito de construir o muro e disse que a imigração ilegal era um “enorme problema”.

Para o jornal “The Washington Post”, Bush fez “uma viagem anti-Trump”.

Em breves declarações em inglês e espanhol, Bush argumentou que o plano de Trump para conter a imigração ilegal, que inclui a construção de um muro pago pelo México, “não é realista” e não corresponde com os “valores” dos Estados Unidos.

“Esta proposta não tem uma base conservadora. Nos custaria bilhões de dólares, violaria os direitos civis das pessoas, não é realista e não vai ser implementada. O que precisamos é de uma segurança na fronteira que volte a funcionar”, ressaltou Bush, que há poucos meses liderava as pesquisas de intenção de voto entre os pré-candidatos do Partido Republicano.

Agora é Trump quem está à frente, enquanto Bush aparece em segundo.

Filho e irmão de ex-presidentes, Jeb insistiu em sua proposta de fazer um “muro virtual”, que passaria por aumentar os efetivos destinados a segurança na fronteira e dotá-los de melhoras tecnologias, como dispositivos de navegação ou drones.

O ex-governador da Flórida é, entre os pré-candidatos republicanos, o que tem um programa mais moderado quanto a imigração e defende a concessão da cidadania do país a 11 milhões de imigrantes ilegais.

Esse programa migratório pôs Bush no ponto de mira de Trump, cuja polêmica campanha teve foco nos últimos dias em atacar seu oponente e acusá-lo de “brando”.

“Acredito que é muito bom que Bush visite a fronteira, assim se dará conta de que o que acontece lá não é um ato de amor. Eu estive lá e é duro, não tem nada a ver com o amor, são outras coisas”, disse hoje Trump ao canal “Fox”.

O magnata respondeu assim a comentários feitos por Bush no passado, nos quais classificou a questão migratória como um “ato de amor” com a família, apesar de ser “ilegal”.

A campanha da candidata democrata Hillary Clinton aproveitou a viagem de Bush à fronteira para denunciar que as propostas do republicano são parecidas com as de seus adversários conservadores.

“Não há muitas diferenças entre Jeb Bush e seus colegas republicanos no que se refere a imigração”, disse Jorge Silva, diretor para veículos de imprensa hispânicos da campanha de Hillary, acrescentando que os ideais do ex-governador da Flórida neste tema são “extremos e longe da realidade”.

“Este Jeb Bush não é o mesmo Jeb Bush que muitos da comunidade latina achavam que conheciam”, acrescentou. EFE

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