Mansueto: É ‘quase impossível’ que estados ajustem contas sem Previdência
O secretário Especial do Tesouro do Ministério da Economia, Mansueto Almeida, afirmou, nesta quinta-feira (15), que é “quase impossível” que os estados e municípios consigam resolver seus problemas fiscais sem entrarem na reforma da Previdência. Em entrevista ao Jornal da Manhã, ele ressaltou que os recursos que estão sendo utilizados para pagar as aposentadorias estão sendo tirados de pastas mais importantes.
“Se eles [estados e municípios] não entrarem na reforma, seja agora, no Senado Federal, ou em uma PEC [Proposta de Emenda Constituicional] paralela e eles mesmos não conseguirem fazer uma reforma em suas assembleias, será muito difícil, quase impossível, que ajustem suas contas. Sem reforma da Previdência, não haverá ajuste fiscal nos estados”, declarou.
Segundo Mansueto, a tendência é que a situação fique cada vez pior: “Até 2026, quase metade dos funcionários públicos estaduais terão as condições necessárias para se aposentar. Mesmo sem isso acontecer, no ano passado, o déficit dos estados já foi de R$ 101 bilhões. Precisaram retirar recursos livres, que seriam da educação, saúde, saneamento básico, transportes, para cobrir a Previdência desses servidores públicos”, completou.
Ele explica que, atualmente, o governo federal gasta mais de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) com contas públicas, enquanto o valor destinado para investimentos fica apenas em 2%. Para corrigir esse percentual, de acordo com o secretário, “mesmo que a gente faça tudo certo”, deve levar pelo menso entre quatro e cinco anos para que o Brasil recupere a capacidade de investimento.
“Vale lembrar que no ano passado todos os estados brasileiros tiveram despesas de R$ 800 bilhões, enquanto os investimentos foram de R$ 41 bilhões”, ressaltou. “Precisará ser feito [para recuperar investimentos] um ajuste muito duro por alguns anos, e isso significa controlar os gastos ativos e inativos com pessoal e fazer a reforma da Previdência”, concluiu.
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