Merkel não apoia via militar na Ucrânia, mas respeitará decisão dos EUA
Washington, 9 fev (EFE).- A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse nesta segunda-feira não apoiar uma solução militar ao conflito na Ucrânia, mas sua aliança com os Estados Unidos se manterá “sólida” inclusive se o governo americano decidir entregar armamento a Kiev.
“Não vejo uma solução militar para este conflito”, disse Merkel em entrevista coletiva conjunta na Casa Branca com o presidente americano, Barack Obama, após a reunião entre eles.
Merkel lembrou que Obama “não tomou uma decisão” ainda sobre dar ou não ajuda letal ao governo da Ucrânia, e disse que “o importante, neste momento, é que seus respectivos governos estão muito unidos na ideia de um esforço diplomático renovado”, como o que ela promove junto do presidente francês, François Hollande.
“Mas seja o que for que decidir (em Washington), a aliança entre Europa e Estados Unidos continuará sendo sólida, inclusive se não estivermos sempre de acordo”, ressaltou a chanceler alemã.
Segundo Merkel, a aliança transatlântica “sobreviveu a passagem do tempo e hoje é indispensável”.
Obama assegurou hoje que se a diplomacia fracassar em resolver a crise na Ucrânia, avaliará “todas as opções” disponíveis, entre elas a entrega de armamento a Kiev, uma possibilidade debatida pela Administração e que apoia um setor cada vez mais amplo do Congresso americano.
Mas ambos os líderes se mostraram otimistas em relação às perspectivas da cúpula que Merkel e Hollande realizarão na quarta-feira em Minsk (Belarus) junto com os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Ucrânia, Petro Poroshenko, a fim de acordar um novo plano de paz para a crise ucraniana.
“Há uma possibilidade de conseguir um cessar-fogo e também criar condições em não haja civis morrendo todos os dias. Tenho certeza que podemos fazer isto juntos”, afirmou Merkel.
No entanto, reconheceu que “não há um êxito assegurado” para este esforço compartilhado com Hollande, que, assegurou, não consiste meramente em um exercício de “mediação, mas também representa uma defesa da ordem e da paz na Europa”.
A chanceler afirmou categoricamente que a Rússia violou o princípio “essencial” da integridade territorial em duas ocasiões na Ucrânia: com a invasão da península da Crimeia ano passado, e com seu apoio aos separatistas pró-Rússia nas regiões do leste, em Donestk e Lugansk.
“Se renunciarmos a esse princípio, não poderemos manter a paz e a ordem na Europa”, advertiu a chefe do governo alemão.
De acordo com dados da ONU, mais de 5.300 pessoas, entre combatentes e civis, já morreram nos quase dez meses de conflito armado nas regiões orientais da Ucrânia. EFE
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