Afegãs protestam pelo segundo dia consecutivo contra o Talibã e a violência de gênero

Regime fundamentalista é conhecido por reprimir as mulheres, que, durante o primeiro governo do grupo, eram impedidas de estudar, trabalhar ou sair às ruas sem uma presença masculina

  • Por Jovem Pan
  • 03/09/2021 13h49
EFE/EPA/STRINGERMulheres afegãs pedem a presença feminina no governo do Talibã

Afegãs protestam nesta sexta-feira, 3, contra o governo do Talibã, que assumiu o Afeganistão após saída das tropas norte-americanas, e contra a violência de gênero praticada pelo grupo extremista. Durante 1996 e 2001, quando o Talibã governou efetivamente o país, regime fundamentalista reprimiu principalmente as mulheres, que, entre outras restrições, não podiam usar vestidos ou maquiagem, eram impedidas de estudar, trabalhar ou sair às ruas sem uma presença masculina. A comunidade internacional acredita que muitos direitos relacionados ao trabalho, estudo e a liberdade de ir e vir conquistados por elas nas últimas duas décadas irão por água abaixo com a volta dos talibãs. O grupo, no entanto, diz que não haverá retrocessos.

Temendo que a preocupação se torne uma realidade, afegãs foram às ruas pelo segundo dia consecutivo pedindo espaço no governo talebã, educação, trabalho e liberdade. Segundo informações da EFE, na quinta-feira, 2, o protesto foi realizado em Herat, a maior cidade em população no oeste do Afeganistão. Nesta sexta-feira, os atos aconteceram na capital Cabul. “Um governo sem a presença de mulheres não vai durar e não será estável. Não aceitamos um governo sem a participação das mulheres e vamos nos opor a ele”, disse Basira Taheri, ativista pelos direitos das mulheres e organizadora do evento de quinta.