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Alemanha classifica AfD como partido extremista; Musk, Vance e Rubio criticam a decisão: ‘Novo Muro de Berlim’

Decisão permite que as autoridades ampliem a vigilância sobre a legenda, inclusive com monitoramento de comunicações privadas; partido promete recorrer

Felipe Cerqueira

A copresidente do partido e da bancada Alternativa para a Alemanha (AfD), Alice Weidel (D), e o copresidente Tino Chrupalla (E), posam durante uma coletiva de imprensa em Berlim
AfD classified as extreme-right by German intelligence Clemens Bilan/EFE/EPA

O Escritório Federal para a Proteção da Constituição, serviço de inteligência interna da Alemanha, classificou nesta sexta-feira (2) o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) como um movimento “extremista de direita”. A decisão permite que as autoridades ampliem a vigilância sobre a legenda, inclusive com monitoramento de comunicações privadas. Segundo o órgão, a ideologia do AfD “desvaloriza grupos inteiros da população na Alemanha e atenta contra sua dignidade humana”, o que a torna “incompatível com a ordem democrática fundamental” do país. O partido, fundado em 2013, teve um crescimento expressivo nas últimas eleições legislativas, em fevereiro, alcançando mais de 20% dos votos e consolidando-se como a segunda maior força política do país.

A medida gerou críticas internacionais. O chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou na rede X que a decisão representa uma “tirania disfarçada” e acusou o governo alemão de usar a inteligência para vigiar a oposição. O bilionário Elon Musk também criticou a classificação, dizendo que proibir o AfD seria “um ataque extremo à democracia”. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, foi ainda mais incisivo. Ele comparou a situação à reconstrução do Muro de Berlim, acusando o “establishment alemão” de minar as liberdades democráticas.

Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha defendeu a decisão em inglês, também na rede X: “Isso é democracia. Nossa história nos ensinou que é preciso deter o extremismo de direita”. Os líderes do AfD, Alice Weidel e Tino Chrupalla, classificaram a medida como um “golpe duro para a democracia” e prometeram contestar judicialmente o que chamaram de “difamações perigosas”.

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O Escritório Federal já havia colocado sob vigilância alas jovens e ramificações regionais do AfD, sobretudo na antiga Alemanha Oriental. A nova classificação reacende o debate sobre uma possível ilegalização do partido, que mantém uma postura fortemente contrária a migrantes e muçulmanos, segundo o órgão de inteligência.

*Com informações da AFP
Publicada por Felipe Cerqueira

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