Ataque de Israel destrói torre com escritórios de veículos de imprensa na Faixa de Gaza

O edifício de 11 andares abrigava sedes da Al Jazeera e da Associated Press; horas antes, bombardeio em um campo de refugiados deixou duas mulheres e oito crianças palestinas mortas

  • Por Jovem Pan
  • 15/05/2021 13h48 - Atualizado em 15/05/2021 14h08
EFE/EPA/MOHAMMED SABERPrédio desaba após ataque aéreo israelense atingir a torre Al-Jalaa, em Gaza, que abrigava apartamentos residenciais e veículos de mídia

Um edifício de 11 andares que abrigava escritórios da emissora de televisão estatal do Catar, Al Jazeera, e da agência de notícias dos Estados Unidos, Associated Press, foi destruídos durante um bombardeio de Israel contra a Faixa de Gaza neste sábado, 15. Ainda não está claro se houve vítimas porque cerca de uma hora antes os militares israelenses alertaram que as pessoas deveriam deixar o prédio Al-Jalaa, que também abrigava sedes de outros veículos de imprensa internacionais e apartamentos residenciais. Um vídeo que está circulando nas redes sociais mostra o momento em que a construção cai ao chão após ser bombardeada, levantando poeira e destroços. “A Al Jazeera condena nos termos mais veementes o bombardeio e a destruição de seus escritórios pelos militares israelenses em Gaza e vê isso como um ato claro para impedir os jornalistas de cumprirem seu dever sagrado de informar o mundo e relatar os acontecimentos no local. A Al Jazeera promete seguir todas as rotas disponíveis para responsabilizar o governo israelense por suas ações”, afirma um comunicado divulgado pela emissora de televisão. Já a Associated Press disse estar “chocada e horrorizada com o ataque”. “Este é um desenvolvimento incrivelmente perturbador. Evitamos por pouco uma terrível perda de vidas. O mundo saberá menos sobre o que está acontecendo em Gaza por causa do que aconteceu hoje”, afirmou o presidente da agência de notícias, Gary Pruitt. Israel justifica que seus “aviões de combate atacaram um prédio alto que hospedava ativos militares pertencentes à inteligência militar da organização terrorista Hamas”, fazendo referência ao movimento islamita palestino. No entanto, as autoridades israelenses reconheceram que o edifício também hospedava veículos de mídia civil, nos quais segundo eles o grupo “se esconde e usa como escudos humanos”, e alegaram ter “dado tempo suficiente” para a evacuação. Em entrevista à agência de notícias Reuters, o porta-voz militar israelense Jonathan Conricus negou que Israel esteja tentando silenciar a mídia. “Isso é totalmente falso, a mídia não é o alvo”, reiterou.

Na madrugada de sábado, 15, um ataque aéreo de Israel atingiu uma casa de três andares que ficava dentro de um campo de refugiados na Faixa de Gaza. O bombardeio causou a morte de oito crianças e duas mulheres de uma mesma família que estava comemorando o Eid al-Fitr, que marca o fim do Ramadã. Um bebê de cinco meses sobreviveu porque a sua mãe se fez de “escudo humano”. Outros dois homens também saíram com vida porque estavam do lado de fora do prédio no momento do ataque. Fotos que circulam nas redes sociais mostram um dos sobreviventes, Muhammad al-Hadidi, beijando o seu único filho, de cinco meses, que não morreu. O chefe do Hamas, Ismail Haniyeh, denunciou em comunicado  o “massacre hediondo no campo de Al-Shati”. O Exército de Israel, por sua vez, afirmou ter atacado “um certo número de líderes” do Hamas que estavam em um apartamento nesse campo de refugiados e reiterou que “toma todas as precauções possíveis para evitar afetar civis” durante as operações. Mais uma vez, ele acusou o grupo islamita palestino de “deliberadamente” usar pessoas comuns como “escudo” para se proteger.

Ataques continuam

Pelo menos 139 pessoas, incluindo 39 crianças, foram mortas na Faixa de Gaza desde o início do conflito na segunda-feira, 10. Já Israel registrou 10 mortos, incluindo duas crianças. No saldo de feridos, são 1.000 palestinos e 560 israelenses. Cerca de 2.300 foguetes foram disparados pelo Hamas e pela Jihad Islâmica contra o território israelense nos últimos seis dias, mas 1.000 foram interceptados por defesas antimísseis antes que causassem qualquer dano a Israel e 380 falharam e acabaram caindo na própria Faixa de Gaza. Um dos projéteis, porém, atingiu um prédio residencial no subúrbio de Ramat Gan, matando um civil.