BBC é banida da China após denunciar estupro sistemático em campos de detenção de Xinjiang

O governo de Xi Jinping também já tinha expressado descontentamento com as notícias que o canal britânico estava veiculando sobre a resposta chinesa à Covid-19

  • Por Jovem Pan
  • 11/02/2021 16h49 - Atualizado em 11/02/2021 17h32
EFE/EPA/WILL OLIVER Antes do banimento, a BBC World News só podia ser transmitida dentro de hotéis internacionais

A agência dos meios de comunicação da China informou nesta quinta-feira, 11, que o canal britânico BBC World News está proibido de ir ao ar no país porque infringiu os princípios de verdade e imparcialidade do jornalismo. Dias antes, o governo de Xi Jinping já tinha expressado frustração em relação à matéria publicada pela BBC no último dia 2 com relatos de mulheres da etnia Uigur que afirmam ter sido sistematicamente estupradas dentro dos campos de detenção de Xinjiang. No dia 4, o  Ministério das Relações Exteriores da China voltou a criticar a BBC pela cobertura da resposta chinesa à pandemia do novo coronavírus, que a entidade alega ter sido repleta de “fake news”.  Vale lembrar que, na semana passada, a agência reguladora de mídia do Reino Unido retirou a licença da China Global Television Network (CGNT) para transmitir no território britânico, o que pode indicar que a China decidiu retribuir na mesma moeda.

Nesta quinta-feira, 11,  Xi Jinping teve a sua primeira conversa com Joe Biden como presidente dos Estados Unidos. Durante a ligação, o democrata expressou a sua preocupação com “os abusos dos direitos humanos em Xinjiang”. O líder chinês respondeu que as questões envolvendo essa região estão “relacionadas à soberania e integridade territorial da China”, alertando ainda que os Estados Unidos devem “tratar essas questões com prudência”. Estima-se que, desde 2015, a China já prendeu um milhão de homens e mulheres da etnia Uighur, de religião islâmica, nos campos de detenção de Xinjiang. Documentos do governo obtidos pela imprensa internacional mostram que essas minorias são presas principalmente por orar, usar véu no rosto, manter a barba longa e ter mais filhos do que o permitido. As informações corroboram as acusações levantadas pelos grupos de direitos humanos, que afirmam que o governo de Xi Jinping está minando principalmente a liberdade religiosa dos uigures.