Biden anuncia retorno dos Estados Unidos à OMS e ao Acordo de Paris

O presidente eleito pretende cumprir duas das suas principais promessas relacionadas às relações exteriores ainda em sua primeira semana de mandato

  • Por Bárbara Ligero
  • 20/01/2021 10h54 - Atualizado em 20/01/2021 16h00
EFE/EPA/JIM LO SCALZO / POOLO presidente dos Estados Unidos também deve priorizar a revogação de outras políticas instituídas por Trump

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou nesta quarta-feira, 20, que interromperá o processo de retirada da Organização Mundial da Saúde (OMS) iniciado durante o mandato de Donald Trump. Em nota divulgada pelo site oficial da sua equipe de transição, a entidade é designada como “fundamental para coordenar a resposta internacional à Covid-19“. O comunicado também afirma que a administração de Joe Biden e da vice-presidente Kamala Harris, representada pelo médico especialista em doenças infecciosas Anthony Fauci, participará de uma reunião do Conselho Executivo da OMS ainda nesta quinta-feira, 21. “Assim que os Estados Unidos retomarem seu compromisso com a OMS, a Administração Biden-Harris trabalhará com a OMS e nossos parceiros para fortalecer e reformar a organização, apoiar a resposta humanitária e sanitária à Covid-19 e o alavancar a saúde global”, diz.

A mesma nota anuncia que Joe Biden assinará e enviará às Nações Unidas o instrumento de adesão ao Acordo de Paris ainda nesta quarta-feira, 20. A ação também desfaz a decisão de Donald Trump de retirar os Estados Unidos do tratado de ordem ambiental. “Os Estados Unidos estarão de volta à posição de exercer liderança global na promoção dos objetivos do Acordo”, afirma o comunicado. Como já era esperado, o democrata retoma um posicionamento multilateral que tinha sido substituído pela ideologia de Trump do “America First”, ou seja, Estados Unidos em primeiro lugar. Em um vídeo de despedida divulgado pela Casa Branca, Trump comemora a saída dos Estados Unidos do que chamou de “impossível” Acordo de Paris.

Esses não são os únicos decretos que devem ser assinados ainda hoje por Biden para desfazer políticas instituídas pelo ex-presidente Donald Trump.  O democrata deve revogar a declaração de emergência que foi utilizada para construção do muro na fronteira com o México, reverter decretos que proíbem a entrada de viajantes vindo de países muçulmanos e solicitar cidadania para imigrantes sem documentos que já vivem nos Estados Unidos. No campo do combate à Covid-19, Biden deve recomendar o uso de máscara por todos os norte-americanos nos próximos cem dias, reestabelecer um conselho responsável por coordenar à resposta à pandemia e ordenar a prorrogação de despejos e execuções hipotecárias, além de estender o congelamento dos juros e pagamentos de empréstimos estudantis. Por fim, o democrata deve reverter a proibição de pessoas transgênero servirem nas Forças Armadas.