Posse de Biden representa ‘página virada’ e ‘nova era’ dos EUA, diz ex-embaixador

Para Rubens Barbosa, no entanto, a vitória democrata não será suficiente para acabar com a polarização no país

  • Por Jovem Pan
  • 20/01/2021 10h45 - Atualizado em 20/01/2021 11h01
Reprodução Twitter / JoeBidenRubens Barbosa considera a vitória democrata como uma página virada na histórica política e econômica dos Estados Unidos

O ex-embaixador Rubens Barbosa acredita que a posse de Joe Biden à presidência dos Estados Unidos representa uma “página virada na história” e o início de uma “nova era” para o país. Entre as medidas já anunciadas pela nova administração que devem contribuir para a mudança estão, por exemplo, o retorno no governo norte-americano ao Acordo de Paris e o pacote de 1,9 trilhão de dólares em ajuda emergencial. “É uma página virada na histórica política e econômica dos Estados Unidos. É uma nova era que começa. O governo Biden já anunciou que vai tomar uma série de medidas desfazendo políticas que o Trump fez ao longo desses quatro anos. As primeiras incluem a questão da pandemia, aumento da vacinação e uma nova política científica para combater essa doença que já matou mais de 400 mil americanos e está influenciando na economia. A volta ao Acordo de Paris e a nova atitude em relação ao meio ambiente terrão muitos impactos inclusive no Brasil”, relatou.

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, nesta quarta-feira, 20, o consultor afirmou, no entanto, que mesmo significativa, essas mudanças não serão suficientes para minimizar a polarização do país. Rubens Barbosa lembrou que em meados de 1999, quando chegou ao Estados Unidos como embaixador, o país já estava politicamente divido. Entretanto, na avaliação dele, a separação atual envolve questões sociais que a alternância de governo não fará desaparecer. “Mesmo que ele [Donald Trump] seja cassado, seja expulso do partido Republicano, essa divisão vai continuar porque é uma divisão que se transformou. A separação que existe hoje é tão grave quanto a que existia na Guerra Civil. A sociedade americana tem muitas contradições, a questão racial é muito presente. No ano passado vimos todos esses conflitos raciais, eles são problemas sociais que estão aí e que não vão desaparecer com o novo governo.”

Sobre o futuro de Donald Trump, o embaixador lembra que ainda há processo de impeachment, que busca cassar os direitos políticos do republicano e impedir uma possível candidatura em 2024. “Politicamente vai ser muito difícil para o Trump, mesmo que ele queira criar um partido. O que não quer dizer que o afastamento dele signifique uma mudança nessa divisão que existe no país. Ele teve 75 milhões de votos, o movimento vai continuar. Se ele não puder ser o líder por alguma razão que o impeça de militar politicamente nos Estados Unidos, alguém vai aparecer”, opinou Rubens Barbosa, que considera a ausência de Trump na posse de Joe Biden uma atitude sem efeitos. “É uma afirmação política do descontentamento dele, ele reafirma todas as mentiras que ele falou durante a eleição, que a eleição foi fraudada, que é ilegítima. Durante todo esse período histórico de quase 200 anos, apenas dois ou três presidentes não compareceram. Vai apenas ficar no registro histórico, mas não tem efeito político ou desdobramento maior.”

Brasil

Sobre os possíveis desdobramentos para a relação Brasil-Estados Unidos, Rubens Barbosa pontuou que “todos os atos políticos têm consequências”. Ele avalia que a relação comercial entre os países não sofrerá um retrocesso, mas deve exigir ajustes por parte do governo brasileiro. “Algumas políticas americanas em relação ao meio ambiente, organismos internacionais, direitos humanos, democracia e em relação à China vão ter impacto no Brasil e vamos ter que ajustar muitas das nossas políticas se não quisermos encontrar nos Estados Unidos uma perda de credibilidade. Não vai ser sem atrito, sem algum confronto e sem ajustes o início da nova relação com os Estados Unidos”, finalizou. A posse de Joe Biden à presidência dos Estados Unidos acontece nesta quarta-feira, 20, a partir das 13h30 pelo horário de Brasília.