Cessar-fogo entre EUA e Irã segue sob tensão após ataques a petroleiros

Washington aguarda uma resposta iraniana à sua mais recente proposta de acordo para pôr fim à guerra, reabrir o Estreito de Ormuz e suspender o controverso programa nuclear de Teerã

  • Por Estadão Conteúdo
  • 09/05/2026 10h40
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Foto por ATTA KENARE / AFP A man walks past an Iranian flag installed along the roadside in Tehran on April 29, 2026, depicting images of children killed on the first day of the war in an alleged US-Israeli missile strike on a school in the southern Iranian city of Minab. US President Donald Trump on April 29 warned Iran to "better get smart soon" as efforts by Washington and Tehran to end hostilities appeared at a standstill. Apesar dos ataques, o presidente dos EUA, Donald Trump, insistiu que o cessar-fogo está sendo respeitado.

Um cessar-fogo frágil parece ser mantido neste sábado (9) depois que os Estados Unidos atacaram dois petroleiros iranianos, enquanto o Bahrein, país que abriga o quartel-general regional da Marinha dos EUA, disse ter detido dezenas de pessoas que tinham ligações com a Guarda Revolucionária do Irã.

Os ataques de sexta-feira (8) lançaram dúvidas sobre o cessar-fogo de um mês que os Estados Unidos insistem estar ainda em vigor. Washington aguarda uma resposta iraniana à sua mais recente proposta de acordo para pôr fim à guerra, reabrir o Estreito de Ormuz e suspender o controverso programa nuclear de Teerã.

As Forças Armadas dos EUA informaram ontem que desativaram dois petroleiros iranianos que tentavam romper o bloqueio americano aos portos do Irã. Horas antes, os militares americanos haviam afirmado ter frustrado ataques contra três navios da Marinha e atingido instalações militares iranianas no estreito.

Entretanto, na pequena ilha do Golfo Pérsico, os americanos anunciaram ontem a prisão de 41 pessoas que, segundo os EUA, fazem parte de um grupo ligado à Guarda Revolucionária do Irã. O ministério afirmou que as investigações continuam para que sejam tomadas medidas adicionais contra qualquer pessoa associada ao grupo, mas não forneceu mais detalhes.

Um ataque dos EUA durante a noite matou pelo menos um marinheiro e feriu outros 10 a bordo de um navio cargueiro que pegou fogo, informou uma agência de notícias ligada ao judiciário iraniano. Não ficou claro se o navio era um dos dois petroleiros que os EUA admitiram ter atingido.

O Bahrein é governado por uma monarquia muçulmana sunita, mas, assim como o Irã, sua população é majoritariamente xiita. Grupos de direitos humanos afirmam que o reino tem usado a guerra entre o Irã e os EUA, que mantêm sua Quinta Frota no país, como pretexto para reprimir a dissidência interna. Os EUA afirmam ter respondido a um ataque no Estreito de Ormuz.

Apesar dos ataques, o presidente dos EUA, Donald Trump, insistiu que o cessar-fogo está sendo respeitado. Ele também reiterou as ameaças de retomar os bombardeios em grande escala caso o Irã não aceite um acordo para reabrir o estreito e suspender seu programa nuclear.

Na sexta-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que o país não estava dando atenção aos “prazos” e que Teerã continua analisando uma proposta dos EUA relacionada às negociações em andamento, de acordo com a agência estatal IRNA.

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