Covid-19 deixa 34 milhões de pessoas desempregadas na América Latina e Caribe

Levantamento realizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que essa é a maior queda da história

  • Por Jovem Pan
  • 30/09/2020 14h37
EFE/ Sebastiao MoreiraPandemia da Covid-19 aumentou número de trabalhadores informais

A pandemia provocada pela Covid-19 levou os países da América Latina e Caribe a “uma recessão de magnitude e extensão sem precedentes”. A avaliação é da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que nesta quarta-feira (30) divulgou nova edição do relatório “Panorama Laboral em tempos de Covid-19: impactos no mercado de trabalho e na renda na América Latina e no Caribe”. Em toda a região, 34 milhões de trabalhadores latino-americanos perderam emprego até agora. “Queda nunca observada na história”, disse o diretor da OIT para a América Latina e Caribe, o economista brasileiro Vinícius Pinheiro. O número inclui pessoas que perderam o emprego momentaneamente, no ápice dos picos de contaminação e da paralisação das atividades, e trabalhadores que tiveram os postos eliminados em definitivo, seja por encerramento do negócio, fechamento das empresas ou reestruturação de atividades.

Conforme monitoramento da OIT, América Latina e Caribe formam a parte do mundo mais afetada com a redução de horas de trabalho, -20,9%, mais de nove pontos percentuais acima do nível mundial (-11,7%), e contração dos empregos (-19,3%) nos três primeiros trimestres de 2020. O diretor da OIT para a América Latina e Caribe alertou que o desemprego pode agravar a desigualdade persistente da região. “O mundo não era perfeito antes da Covid-19”, observou o economista. Segundo ele, as pessoas mais afetadas com a redução das atividades econômicas foram os trabalhadores informais, as mulheres e os jovens. A OIT teme que, no momento de retomada, esses grupos sejam os últimos a serem incluídos.

Trabalhadores informais

Pinheiro chamou atenção para a situação dos trabalhadores informais que, por causa da situação de vida, são aqueles com maior dificuldade de proteger a saúde e manter-se em confinamento durante a pandemia, e são as pessoas que têm acesso precário aos sistemas de proteção social. Ainda de acordo com o diretor, alguns países “chegaram à exaustão” em suas contas públicas e sofrem com “a falta de espaço fiscal”, agravando a capacidade dos governos em atuar com medidas de apoio a empresas e aos trabalhadores. Vinicius Pinheiro teme que a crise sanitária da Covid-19, que desencadeou a crise econômica e de desemprego, possa gerar instabilidade e crise política na região. Ele recomenda que os países busquem “pacto social” e mantenham diálogo entre governo, empresários e trabalhadores.

*Com Agência Brasil