Covid-19: Vacina experimental cubana Abdala apresenta 92% de eficácia em testes

Governo anunciou resultados de testes dias após revelar que o imunizante Soberana-02, outra das cinco vacinas desenvolvidas no país, tem 62% de eficácia

  • Por Jovem Pan
  • 21/06/2021 23h50
DivulgaçãoVacina cubana, Abdala, é uma das cinco em testes no país

A Abdala, uma das cinco vacinas experimentais desenvolvidas em Cuba contra a Covid-19, mostrou uma eficiência de 92,2% contra a doença na primeira análise da terceira e última fase de ensaios clínicos, informou a emissora estatal do país nesta segunda-feira, 21. De uso intramuscular, essa vacina é sub-unitária baseada no domínio de ligação ao receptor (RBD) da proteína S do vírus. O cronograma de aplicação é de três doses administradas com 14 dias de intervalo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que para que uma vacina experimental seja efetivada, deve demonstrar uma eficácia igual ou superior a 50%. A terceira fase dos ensaios clínicos da Abdala começou em meados de março nas províncias de Santiago, Guantánamo e Granma com a participação de 48 mil voluntários de 19 a 80 anos de idade e sob o padrão internacional de estudo multicêntrico, randomizado, controlado por placebo e duplo-cego.

O resultado foi apresentado hoje pelos chefes do Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia (CIGB) ao presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, que de acordo com uma reportagem da televisão estatal afirmou que este é “um acontecimento que multiplica o orgulho deste país e de seus cientistas”. A notícia foi divulgada dois dias após ter sido anunciado que outra das cinco vacinas experimentais cubanas contra a Covid-19, a Soberana 02, do Instituto Finlay, obteve 62% de eficácia nos resultados preliminares da fase final dos ensaios clínicos, realizados inteiramente em Havana com 44.010 voluntários. Espera-se que, assim como o IFV fará com a Soberana 02, o CIGB solicite imediatamente a autorização de uso emergencial para a Abdala ao Centro de Controle Estatal de Medicamentos, Equipamentos e Dispositivos Médicos (Cecmed), órgão regulador de Cuba.

De acordo com números oficiais, pouco mais de 2 milhões de cubanos, de uma população de 11 milhões, receberam pelo menos uma dose dessas vacinas. Cuba não é membro do mecanismo Covax, da OMS, criado para dar aos países de baixa e média renda acesso às vacinas, nem as comprou no mercado internacional. O país, que desde janeiro está passando pela terceira e pior onda da pandemia, registrou hoje um novo recorde de casos diários e acumula 169.365 contágios pelo novo coronavírus e 1.170 mortes por Covid-19.

*Com informações da EFE