Família real britânica se despede do Príncipe Philip em cerimônia restrita

O funeral na Capela de São Jorge foi marcado por honrarias militares e respeito às medidas vigentes de combate à Covid-19; evento já tinha sido planejado pelo próprio Duque de Edimburgo há anos

  • Por Jovem Pan
  • 17/04/2021 14h24
EFE/EPA/Dave Jenkins/HANDOUT MOD CROWNO caixão foi carregado até a Capela de São Jorge em um Land Rover que o próprio Príncipe Philip ajudou a projetar

O funeral do Príncipe Philip já tinha sido planejado por ele mesmo há anos. Falecido no último dia 9, o marido da Rainha Elizabeth II foi enterrado na cripta real neste sábado, 17, em um caixão feito de carvalho inglês e forrado de chumbo que foi entregue à família real britânica especialmente para essa finalidade em 1991. Conforme era desejo do próprio Duque de Edimburgo, o velório aconteceu na Capela de São Jorge, que fica dentro do Castelo de Windsor. No entanto, os planos fúnebres originais tiveram que passar por algumas modificações devido à pandemia do novo coronavírus.

Como o Príncipe Philip queria que suas conquistas pela Marinha Real Britânica fossem reforçadas em sua despedida, a expectativa era que houvesse uma procissão militar de Londres a Windsor, o que não aconteceu devido à necessidade de evitar aglomerações. Porém, houve uma marcha solene menor com a participação de 730 membros das Forças Armadas. Seu caixão foi carregado por um curto trajeto até a Capela de São Jorge em um Land Rover que o próprio Duque de Edimburgo ajudou a projetar. Atrás dele caminhavam os seus quatro filhos – a Princesa Anne, o Príncipe Charles, o Príncipe Edward e o Príncipe Andrew – seguidos de três dos seus netos, o Príncipe William, o Príncipe Harry e Peter Phillips. A Rainha Elizabeth II viajou a bordo de um Bentley ao final da procissão, acompanhada de uma funcionária. O caixão foi recebido com um minuto de silêncio, o hino nacional e salva de tiros.

Dentro da Capela de São Jorge, porém, foi respeitado o limite de até 30 pessoas em funerais, conforme as normas vigentes no Reino Unido de combate à Covid-19. A lista de convidados incluiu filhos, netos e outros parentes próximos, mas deixou de fora o primeiro-ministro Boris Johnson e os bisnetos do falecido, como o Príncipe George, a Princesa Charlotte e o Príncipe Louis, que ainda são crianças. A esposa do Príncipe Harry, Meghan Markle, e o seu filho, Archie, permaneceram nos Estados Unidos e também não compareceram à cerimônia. Markle está grávida do 2º filho do casal. Seguindo os protocolos sanitários, todos os presentes usavam máscara e se sentaram mantendo o distanciamento social. A Rainha Elizabeth II, por exemplo, ficou sentada sozinha e afastada dos demais.

O Reitor de Windsor prestou homenagem à “bondade, humor e humanidade” do Príncipe Philip. “Fomos inspirados por sua lealdade inabalável à nossa Rainha, por seu serviço à nação e à Comunidade, por sua coragem, fortaleza e fé”, disse. O restante do discurso foi bastante voltado para o serviço do Duque de Edimburgo na Marinha Real Britânica e o seu amor pelo mar. Nenhum sermão foi proferido, como era a vontade do falecido. O caixão foi coberto com o estandarte do Duque de Edimburgo, sua coroa, seu chapéu naval e sua espada. Posicionadas à frente estavam as medalhas e condecorações que ele recebeu em vida, todas ela citadas durante o funeral.

Após o fim da cerimônia, o Príncipe Harry, o Príncipe William e Kate Middleton foram vistos conversando e caminhando juntos. Esta foi a primeira vez em que Harry reencontrou o seu irmão, a sua cunhada e o restante da família real desde a controversa entrevista dada por ele e Meghan Markle à apresentadora Oprah Winfrey. Na sequência, odos os convidados se reuniram no Castelo de Windsor. Apesar do período de luto nacional terminar hoje, a família real ainda deve cumprir duas semanas de luto, comparecendo a compromissos usando faixas pretas. A Rainha Elizabeth II, especificamente, deve voltar ao trabalho no próximo dia 22.

Dress Code

Rompendo com a tradição, os membros da família real não usaram os seus uniformes militares, mas sim roupas civis. Por mais banal que pareça, a decisão do dress code resolveu dois dilemas enfrentados pela monarquia britânica. A primeira envolve o Príncipe Andrew, que desejava usar o seu antigo uniforme de almirante no funeral do pai, mas se afastou dos seus deveres em 2019 por causa dos seus lanços com o pedófilo condenado Jeffrey Epstein. A segunda está relacionada com o Príncipe Harry, que recentemente também perdeu os seus títulos militares honorários ao decidir deixar o cargo que ocupava dentro da família real para se mudar para os Estados Unidos com a esposa Meghan Markle, em março de 2020. Caso os uniformes fossem obrigatórios, Harry e Andrew seriam os únicos que estariam vestidos com ternos.