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FBI realiza buscas na casa de repórter do Washington Post que cobre governo Trump

Ação integra investigação sobre vazamento de informações confidenciais; medida é considerada rara e marca novo capítulo na relação tensa do governo Trump com a imprensa

Nicolas Robert

Sede do jornal The Washignton Post, em Washington, nos EUA
Sede do jornal The Washignton Post, em Washington, nos EUA ERIC BARADAT / AFP

Agentes do FBI realizaram uma operação de busca na casa da repórter Hannah Natanson, do Washington Post, na Virgínia, como parte de uma investigação sobre o possível compartilhamento de informações confidenciais do governo americano. Durante a ação foram apreendidos um telefone, notebooks e um relógio, segundo relatos da própria repórter e do jornal.

Natanson cobre a Casa Branca e acompanha a reestruturação administrativa promovida pelo governo Donald Trump, com ênfase em demissões de servidores, mudanças no corpo diplomático e redirecionamento da máquina pública. Investigadores informaram à jornalista que ela não é o alvo da apuração.

O foco da investigação é Aurelio Perez-Lugones, funcionário terceirizado do Pentágono acusado de ter acesso e levar para casa documentos marcados como secretos, além de supostamente compartilhá-los com a imprensa. Ele está preso. Autoridades afirmam ter encontrado material da defesa nacional em sua residência e no carro.

A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, confirmou em rede social a operação, acusando jornalistas de obter e divulgar informações sigilosas de forma ilegal — afirmações feitas sem apresentação de provas. “O governo Trump não tolerará vazamentos ilegais de informações confidenciais”, escreveu.

 

Embora casos de vazamento sejam comuns em Washington, especialistas e veículos da imprensa americana destacaram que buscas em residências de jornalistas são consideradas “extremamente raras” mesmo em investigações envolvendo segredos de Estado. Normalmente, medidas desse tipo se limitam ao acesso a registros telefônicos e de emails.

Para o Washington Post, a operação foi “extremamente incomum e agressiva”. A ação também gerou reação de organizações de defesa da liberdade de imprensa. Jameel Jaffer, diretor do Knight First Amendment Institute, da Universidade Columbia, classificou o episódio como preocupante e alertou para um possível efeito intimidatório sobre repórteres e fontes.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala à imprensa antes de embarcar no Marine One, no gramado sul da Casa Branca, em Washington, D.C.

Ação na casa da repórter do Washington Post acontece em meio à deterioração da relação de Donald Trump com a imprensa

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O caso ocorre em meio à deterioração da relação do governo Trump com a imprensa e após o Departamento de Justiça reverter, no ano passado, uma política adotada na gestão Joe Biden que restringia o rastreamento de dados de jornalistas em apurações sobre vazamentos. No fim de seu primeiro governo, Trump já havia solicitado registros de repórteres do Washington Post, New York Times e CNN, mas não havia precedentes de buscas domiciliares ou apreensão direta de dispositivos.

Até esta quarta, não havia confirmação oficial de qualquer vínculo direto entre Natanson e Perez-Lugones além do fato de os documentos sob investigação terem sido publicados pela imprensa.

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