‘Feridos e ferro retorcido tomam conta das ruas’, relata brasileira em Beirute à Jovem Pan

Viviane Azevedo, que mora há 5 anos no país árabe, pensou que explosão fosse ataque terrorista; ‘Estamos com medo de que a substância, que está pairando no ar, possa ser tóxica e causar problema de saúde’, afirmou

  • Por Jovem Pan
  • 04/08/2020 18h54 - Atualizado em 04/08/2020 19h01
EFE/EPA/IBRAHIM DIRANIBombeiros combatem as chamas após forte explosão na zona portuária de Beirute, no Líbano

A brasileira Viviane Ferreira Guedes de Azevedo, 40, passava quase todos os dias pela zona portuária de Beirute, capital do Líbano, onde uma explosão nesta terça-feira, 4, deixou dezenas de mortos e milhares de feridos. A casa que a carioca divide com o marido, um fotógrafo libanês, e o filho fica a aproximadamente 2 quilômetros do local do acidente. Na hora da explosão, Viviane estava voltando com o filho da aula de natação, em um ginásio a pouco mais de 4 quilômetros da zona de destruição. “Eu estava dentro do carro, e, de repente, sentimos tudo tremer. Fiquei alguns segundos sem conseguir escutar nada por causa da explosão, e, quando olhei para cima, vi a bola de fogo. Dava para ver que era em algum lugar próximo, mas na hora não tinha como saber onde havia acontecido”, afirma Viviane à Jovem Pan, que mora há 5 anos no país árabe. No primeiro momento, ela pensou se tratar de um ataque terrorista. “Eu senti muito medo, pensei que fosse um atentado. Com o tempo que moro aqui, já passei por algumas situações”, afirma.

Viviane conta que deixou o filho na casa da sogra antes de retornar para casa. No caminho, muitos feridos e sinais da explosão. “Na rua, já dava para ver a destruição. Todos os vidros dos prédios ao redor estavam destruídos, havia muito pedaço de ferro retorcido espalhado, muitas pessoas feridas”. A casa dela não sofreu danos muito graves, mas ela preferiu buscar abrigo na residência de uma amiga que mora mais afastada da região. “Estamos com medo de que a substância, que está pairando no ar, possa ser tóxica e causar algum problema de saúde. Amanhã vou tentar doar sangue, que é o que posso fazer para colaborar”, afirma.

Uma explosão de larga escala foi vista e ouvida em Beirute, capital do Líbano, nesta terça-feira. Vídeos registrados nas redes sociais mostraram uma longa cortina de fumaça e barulho de destruição. De acordo com emissoras de TV locais, a explosão aconteceu na região portuária da cidade. Prédios e construções foram afetadas severamente. Em algumas das postagens, é possível ver a destruição dentro de alguns desses locais. De acordo com a agência de notícias local “ANN”, um incêndio foi iniciado perto de um armazém de trigo e se propagou, o que provocou a detonação, que acabou sendo sentida em toda a cidade e arredores. Informações do canal LBC, por sua vez, citam um depósito de fogos de artifício que teria inflamado a explosão. Ainda há a especulação sobre a possibilidade de ter sido um atentado terrorista.

Ministério das Relações Exteriores informou por meio de nota nesta terça-feira que “acompanha com atenção” a situação em Beirute, capital do Líbano. Segundo o ministério, não há relatos de cidadãos brasileiros mortos ou gravemente feridos. “O Itamaraty seguirá acompanhando a situação por meio da Embaixada do Brasil em Beirute, em coordenação com a Divisão de Assistência Consular (DAC) em Brasília”, diz a pasta. O número de telefone disponível para informações sobre brasileiros no país é +961 70108374.