Fotógrafo agredido pela polícia durante protestos em Cuba é hospitalizado

Agência para qual profissional trabalha afirmou que espanhol Ramón Espinosa foi atingido no nariz e em um dos olhos durante repressão policial de protesto em Havana, mas passa bem

  • Por Jovem Pan
  • 12/07/2021 17h19
Adalberto ROQUE / AFP/11.07.2021Fotógrafo espanhol precisou ser hospitalizado após ser agredido pela polícia durante protestos em Havana

Um profissional da imprensa que cobria as manifestações contra o governo de Cuba em Havana ficou ferido após ser agredido por policiais no meio da multidão que foi às ruas neste domingo, 11. A informação foi confirmada pela Agência Press, empresa para qual o fotógrafo prestava serviço no momento do incidente. “Pelo menos 300 pessoas a favor do governo chegaram ao local com uma enorme bandeira de Cuba gritando slogans em apoio a Fidel Castro e à Revolução Cubana. Algumas dessas pessoas agrediram um vídeojornalista da AP, danificando a câmera dele, enquanto um fotojornalista da AP foi ferido pela polícia”, diz trecho da reportagem publicada pela agência nas redes sociais ainda no domingo. Nesta segunda, a AP informou que o profissional espanhol Ramón Espinosa foi atingido no nariz e em um dos olhos e precisou passar por atendimento médico. “Atualmente, ele se encontra hospitalizado e sem perigo”, disse em nota. Imagens do momento em que Espinosa é agredido foram registradas por um colega fotojornalista e publicadas nas redes sociais.

Apesar das provas de agressão, o presidente Miguel Díaz-Canel negou que qualquer tipo de repressão aos protestos tenha ocorrido. Em pronunciamento na TV ele chegou a questionar: “Onde estão os assassinatos cubanos? Onde está a repressão cubana? Onde estão os desaparecidos em Cuba?”. Em resposta, a Anistia Internacional considerou as manifestações de Díaz-Canel como uma “retórica inflamatória de guerra e confronto” e disse que as falas do presidente cubano geram “um ambiente violento contra quem cobra prestação de contas e o livre exercício de seus direitos”. A diretora para Américas do órgão, Erika Guevara Rosas, afirmou que é obrigação das autoridades proteger os direitos da população cubana e disse que os vídeos de agressões enviados pelas redes sociais foram “recebidos com preocupação”.

Os manifestantes que foram às ruas de Havana e outras cidades no domingo pediram “liberdade” e “abaixo à ditadura”, além de protestarem contra a crise econômica e sanitária, demandando a maior distribuição de vacinas no país. Confrontos com as forças de Segurança no Parque da Fraternidade, onde mais de mil pessoas se reuniram diante da forte presença de militares e policiais, foram registrados e, de acordo com jornalistas presentes no local, muitas pessoas foram presas. A presença de grupos organizados de apoiadores do governo, que gritaram “Eu sou Fidel” ou “Canel, meu amigo, o povo está contigo”, em alusão ao presidente Miguel Díaz-Canel, também foi registrada na região. O protesto foi considerado como histórico, já que esta é a primeira vez que um grande grupo de cubanos sai às ruas para protestar contra o governo desde a crise econômica de 1994.