Joe Biden quer proibir armas de assalto após tiroteios nos EUA

Vendas aumentaram durante a pandemia no país, que registrou dois ataques armados de grandes proporções em uma única semana; presidente quer mais verificações de antecedentes para compra

  • Por Jovem Pan
  • 23/03/2021 16h41 - Atualizado em 23/03/2021 17h13
EFE/EPA/STEFANI REYNOLDS / POOLJoe Biden defendeu que a questão das armas de fogo deve ser apartidária porque envolve a vida de todos os norte-americanos

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, manifestou o seu desejo de endurecer as leis de armamento e proibir a venda de semiautomáticas pela primeira vez desde que assumiu o cargo. O chefe de governo fez um apelo ao Congresso nesta terça-feira, 23, um dia após o tiroteio em um supermercado no Colorado causar a morte de dez pessoas e uma semana depois do ataque armado a três casas de massagens na Geórgia, que por sua vez deixou um total de oito vítimas. Em seu discurso, Joe Biden disse que “esta não deve ser uma causa partidária” porque “salvará vidas americanas”. Dessa forma, o presidente defendeu que o Senado, de maioria republicana, deveria aceitar as reformas de lei que já foram aprovadas pela Câmara dos Deputados, majoritariamente democrata. Esses projetos a que ele se referiu especificamente ampliariam as verificações de antecedentes necessárias para a compra de armas de fogo. No entanto, Biden sugeriu ainda a proibição das semiautomáticas, popularmente chamadas de “armas de assalto”. A fabricação desses produtos foi tornada ilegal em 1994, em um movimento que teve a participação ativa do presidente quando ele ainda era senador do estado de Delaware. No entanto, a medida acabou expirando em 2004 e não foi renovada desde então.

O ex-presidente Barack Obama também se pronunciou sobre o assunto nesta terça-feira, 23. “Uma pandemia que ocorre uma vez em um século não pode ser a única coisa que retarda os tiroteios em massa nesse país. Não deveríamos ter que escolher entre um tipo de tragédia e outro. Já é hora daqueles com poder para lutar contra esta epidemia de violência o fazerem”, defendeu. Já o senador republicano Ted Cruz considerou os apelos dos membros do partido de Joe Biden por novas leis de segurança de armas de fogo um “teatro ridículo”. “O que acontece neste comitê depois de cada tiroteio em massa é que os democratas propõem tirar as armas dos cidadãos cumpridores da lei porque esse é o seu objetivo político, mas o que eles propõem não só não reduz o crime, como o torna pior”, opinou.

Venda de armas de fogo nos EUA aumentou durante a pandemia

A recorrência de tiroteios nos Estados Unidos está chamando atenção para o recorde de vendas de armas no ano passado, durante a pandemia do novo coronavírus. De acordo com a empresa de consultoria Small Arms Analytics, quase 23 milhões de armas de fogo foram compradas em 2020, um aumento de 65% em comparação com 2019. O fenômeno pode estar relacionado ao assassinato de George Floyd, o início das restrições para conter a Covid-19 e a tensão da disputa presidencial, momentos que geraram agitação política e social nos Estados Unidos. O salto nas vendas de armas continuou em janeiro desse ano, quando houve a invasão ao Capitólio e a posse de Joe Biden, cujo Partido Democrata geralmente é a favor da limitação da posse de armas. Só no primeiro mês de 2021, duas milhões de armas de fogo foram vendidas, um aumento de 75% em relação ao mesmo período de 2020, segundo a Federação Nacional do Tiro Esportivo.