Lockdown avança em países da Europa diante da 3ª onda de Covid-19

Aumento significativo no número de infecções pelo novo coronavírus levaram a Itália a retomar medidas de restrições no país; governos da França e da Alemanha estão sendo pressionados a fazer o mesmo

  • Por Bárbara Ligero
  • 16/03/2021 13h16
EFE/EPA/ANGELO CARCONICenas da Itália nesta segunda-feira, 15, lembram o início da pandemia do novo coronavírus há um ano atrás

Três quartos da população italiana voltaram a viver em lockdown nesta segunda-feira, 15. Um dos países mais afetados da Europa pela pandemia do novo coronavírus, a Itália aplicou novas restrições que serão válidas até o dia 6 de abril em todas as regiões do país com mais de 250 casos de Covid-19 a cada 100 mil habitantes. Dessa forma, deverão permanecer fechadas todas as escolas, os restaurantes, os bares e os outros comércios considerados não essenciais, ao mesmo tempo em que a população fica proibida de sair de casa a não ser para trabalhar, ir ao mercado, à farmácia ou ao médico. Além disso, durante a Páscoa toda a Itália entrará em lockdown como uma forma de desencorajar as aglomerações e as viagens entre diferentes regiões. Durante os três dias do feriado, os italianos só poderão sair na rua caso tenham que ir trabalhar ou precisarem receber atendimento médico em um hospital. Massimo Galli, um dos principais virologistas da Itália, disse em entrevista ao jornal local Corriere della Sera nesta segunda-feira, 15, que “a história se repete” e  “a terceira onda começou”. “Infelizmente, todos nós tivemos a ilusão de que a chegada das vacinas reduziria a necessidade de fechamentos mais drásticos. Mas as vacinas não chegaram em quantidade suficiente”, afirmou. Entenda como está a situação em outros países da Europa:

Alemanha

O Instituto de Doenças Infecciosas Robert Koch (RKI), da Alemanha, também afirma que uma terceira onda de infecções pelo novo coronavírus já teve início. Segundo a entidade, o número de casos confirmados de Covid-19 em um período de 24 horas aumentou em 14.356, a maior contagem diária registrada no país nas últimas duas semanas. Esse aumento recente coincide com a disseminação de uma variante altamente infecciosa do vírus descoberta pela primeira vez no Reino Unido. A nova cepa, conhecida como B.1.1.7, foi considerada responsável por mais de 46% das novas infecções na Alemanha. Diante desse cenário, um prognóstico dramático divulgado pelo RKI na sexta-feira, 12, prevê que até a Páscoa o número de novos casos de Covid-19 será superior ao registrado depois do Natal, que foi considerado o pico da segunda onda. Nas últimas semanas, a Alemanha vinha relaxando gradualmente as medidas de restrição à medida que a campanha de vacinação avançava, permitindo que escolas, cabelereiros e outras empresas reabrissem parcialmente. O objetivo era alcançar uma reabertura total até 28 de março. Agora, no entanto, os especialistas recomendam ao governo federal e aos governos estaduais que o lockdown seja inteiramente retomado. A primeira-ministra Angela Merkel e demais líderes alemães devem se reunir na próxima segunda-feira, 22, para discutir o tema.

França

Enquanto isso, a França também está sendo pressionada a voltar com as medidas de restrição para conter o avanço do novo coronavírus, que infectou 26.343 pessoas no último domingo, 14. A situação é especialmente crítica em Paris, onde as unidades de terapia intensiva estavam mais de 95% ocupadas nesta segunda-feira, 15. Por causa da lotação, o governo teve que evacuar alguns pacientes para outras partes do país em aviões especiais. “A cada doze minutos, noite e dia, um parisiense é internado em um leito de UTI”, ilustrou o ministro da Saúde, Olivier Verán. O primeiro-ministro Jean Castex assegurou que a capital francesa entrará em lockdown caso a taxa de incidência, que atualmente é de 391, chegue a 400 casos a cada 100 mil habitantes. A solução, no entanto, não contentou os médicos e especialistas, que pedem por um lockdown em nível nacional. Até agora, o presidente Emmanuel Macron resistiu à pressão e impôs apenas em algumas regiões da França um toque de recolher às 18h e restrições durante os finais de semana.

Grécia

A lotação de 95% dos leitos de UTI em Atenas, capital da Grécia, foi um fator decisivo para a volta das medidas de lockdown no país, que registra uma média de 2.100 novos casos de Covid-19 a cada dia. Nesta sexta-feira, 12, o governo anunciou que todas as escolas seriam fechadas e colocou três regiões do país no maior nível de restrições para conter a propagação do novo coronavírus. Em Atenas, especificamente, até o dia 22 de março os comércios não essenciais deverão permanecer fechados e as pessoas devem obedecer a um toque de recolher noturno.

Leste Europeu

Um aumento acentuado nas infecções pelo novo coronavírus também foi registrado na Hungria, que teve um pico de 9.444 novos casos de Covid-19 no último sábado, 13, e na República Tcheca, onde as novas infecções chegaram a 15.110 no mesmo dia. Desde o início do mês, os tchecos estão vivendo sob um lockdown previsto para durar até o próximo dia 21: os cidadãos foram instruídos a permanecer em casa e foram proibidos de se descolarem entre regiões a não ser que seja para trabalhar ou fazer viagens consideradas essenciais. Além disso, as únicas lojas que podem reabrir são supermercados, farmácias, óticas e floristas. Já na Polônia, as 17.260 contaminações contabilizadas na última quarta-feira, 10, foram o maior número diário desde novembro. Os poloneses já vivem restrições rígidas, com escolas e restaurantes fechados, mas diante do novo recorde o governo já afirmou que deve anunciar a reimplementação de medidas ainda esta semana.

Portugal

Portugal tem surgido como uma grande exceção no cenário europeu. Os novos casos de Covid-19 caíram para 577 nesta sexta-feira, 12, após um pico de mais de 16.000 em janeiro. Com isso, o lockdown começará a ser flexibilizado gradualmente a partir da próxima semana, com as crianças retornando ao berçário e à escola primária, e alguns museus e empresas recebendo autorização para reabrir. Já os cafés, bares e restaurantes poderão voltar a receber o público a partir do dia 3 de maio.