Macron declara a Lula que aceita pacto UE-Mercosul se agricultura francesa e europeia for preservada

Palácio do Planalto pretende que tratado seja assinado ainda neste semestre, antes do fim da presidência brasileira do bloco sul-americano; presidente conversou com o francês por telefone nesta quarta-feira (20)

  • Por Jovem Pan
  • 20/08/2025 13h51
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Ricardo Stuckert/PR Cerimônia oficial de chegada do Presidente da República Francesa, Emmanuel Macron, por ocasião de sua Visita de Estado ao Brasil Cerimônia oficial de chegada do Presidente da República Francesa, Emmanuel Macron, por ocasião de sua Visita de Estado ao Brasil

O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta quarta-feira (20) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que está disposto a aceitar um acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, ao qual até agora se opunha de forma categórica, se este preservar os interesses do setor agrícola de seu país. Em uma mensagem publicada em sua conta na rede social X após uma conversa com Lula, Macron destacou que disse ao governante brasileiro que está “preparado para um acordo UE-Mercosul ambicioso, a partir do momento em que preserve os interesses da nossa agricultura francesa e europeia e esteja a serviço de nossas respectivas economias”.

Pouco antes, o governo brasileiro havia apresentado sua versão sobre essa conversa entre os dois presidentes e havia destacado em nota que ambos se comprometeram a “ultimar o diálogo” para a assinatura do pacto. O Palácio do Planalto ressalta em sua nota que sua intenção é que o tratado possa ser assinado “ainda neste semestre, durante a presidência brasileira” do Mercosul, que termina em dezembro com a cúpula do bloco sul-americano.

O fato é que, depois que a Comissão Europeia, em nome da UE, e o Mercosul formalizaram em 6 de dezembro a conclusão do acordo após duas décadas de negociação, a França está liderando um grupo de países europeus que buscam impedir sua aplicação com a constituição de uma minoria de bloqueio. As autoridades francesas, que têm o apoio de praticamente todo o espectro político no interior do país, justificam essas manobras sobretudo porque consideram que o pacto seria prejudicial para seus agricultores, que teriam que enfrentar a concorrência de setores como a carne bovina ou de frango e o açúcar de cana.

Os críticos ao acordo argumentam que, na prática, permitirá que o mercado europeu seja inundado com produtos que não cumprem as mesmas regras sanitárias e ambientais que as exigidas aos agricultores europeus, e por isso Paris exige que sejam adicionadas as chamadas “cláusulas espelho”. Em sua conversa por telefone nesta quarta-feira, Macron aproveitou também para reiterar a Lula “a necessidade de defender o multilateralismo e seu papel central para alcançar uma paz justa e duradoura na Ucrânia, com garantias de segurança sólidas para a Ucrânia e para a segurança da Europa”.

Este é outro ponto de atrito entre a França, que é um dos principais apoios a Kiev, e o Brasil, a quem Paris reprova por não condenar firmemente a posição russa e não participar das sanções contra Moscou. Segundo o Palácio do Eliseu, com a perspectiva voltada para a COP30 que será realizada no final do ano na cidade de Belém, os presidentes da França e do Brasil abordaram igualmente “os grandes desafios globais, em particular sobre as questões ambientais e a luta contra a pobreza”.

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Além disso, falaram de assuntos econômicos, sobretudo das tarifas que há meses ocupam as manchetes desde que o presidente americano, Donald Trump, desencadeou a guerra comercial em abril, bem como de sua cooperação bilateral no campo da defesa e dos transportes. Macron e Lula concordaram ainda, de acordo com a presidência francesa, em “continuar a aprofundar” sua relação bilateral, em linha com a visita que o primeiro fez ao Brasil e a do governante brasileiro à França em junho.

*Com informações da EFE

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