Myanmar proíbe reuniões de mais de cinco pessoas para conter protestos

Desde o último sábado, cidadãos de várias cidades do país saíram às ruas contra o golpe de Estado realizado há uma semana

  • Por Jovem Pan
  • 08/02/2021 14h16 - Atualizado em 08/02/2021 14h30
EFE/EPA/LYNN BO BOOs protestos contra o golpe militar em Myanmar já duram três dias

A junta militar de Myanmar impôs nesta segunda-feira, 8, a lei marcial em resposta às manifestações que pelo terceiro dia consecutivo inundaram as ruas do país em protesto contra o golpe de Estado realizado há uma semana. Uma lei marcial consiste em um conjunto de medidas que têm efeito quando uma autoridade militar toma o controle do Estado. Desde o último sábado, dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas de várias cidades do país, mas a principal manifestação aconteceu em Rangun, onde as pessoas se reuniram em torno da Sule Pagoda, monumento mais representativo da nação do Sudeste Asiático.

Após o país ter ficado praticamente paralisado hoje por uma greve geral dos trabalhadores e protestos em massa, os militares declararam lei marcial em cinco localidades, impondo um toque de recolher, além da proibição de reuniões de mais de cinco pessoas e discursos públicos. A medida, que afeta dois distritos de Rangun, entrou em vigor hoje também em Mandalay, Monywa, Loikaw e Hpsaung, Myaungmya. O anúncio foi feito depois que militares, por meio da emissora estatal de televisão MRTV, ameaçaram agir contra os manifestantes e os acusaram de prejudicar a estabilidade, a segurança e o Estado de Direito do país. Até agora, a mídia estatal ou próxima ao Exército evitou qualquer notícia sobre as mobilizações pacíficas contra os militares uniformizados e o anúncio faz temer uma escalada de prisões e repressão policial. Na capital Naipydo, onde milhares de pessoas se reuniram na área dos ministérios, a polícia usou canhões d’água contra os manifestantes por pelo menos 30 minutos para conter os protestos.

*Com informações da EFE