OMS desaconselha uso do antiviral remdesivir para pacientes com Covid-19

Medicamento é utilizado em pacientes internados, mas especialistas apontam que não há evidências de que ele reduza a mortalidade nos casos mais graves ou reduza a necessidade do uso de respiradores

  • Por Jovem Pan
  • 19/11/2020 22h36
Ulrich Perrey/Pool via REUTERS/File PhotoAntiviral remdesivir não é recomendado pela OMS

O uso do antiviral remdesivir, utilizado em pacientes hospitalizados com Covid-19 em alguns países, foi desaconselhado pela Organização Mundial da Saúde – OMS. A Organização anunciou nesta quinta-feira, 19, uma recomendação contrária ao medicamento. Segundo um painel internacional de especialistas da entidade, não foram encontradas evidências de que o remédio – produzido pela empresa farmacêutica americana Gilead e utilizado em pacientes com ebola, reduza a mortalidade nos casos mais graves da doença ou reduza a necessidade do uso de respiradores pelos pacientes.

Os resultados, publicados no “British Medical Journal”, da Associação Médica Britânica, foram obtidos após a análise de dados de quatro testes envolvendo 7.000 pacientes internados com Covid-19. O medicamento “não tem efeito significativo sobre a mortalidade ou outros indicadores importantes nos pacientes, tais como a necessidade de ventilação mecânica ou tempo para a melhora clínica”, disseram os especialistas. Eles também esclareceram que os resultados não indicam que o remdesivir careça de certos efeitos benéficos para os pacientes, mas desaconselham seu uso em vista do alto custo e possíveis riscos à saúde de um medicamento que deve ser administrado por via intravenosa.

Os especialistas disseram que apoiam a continuação dos testes clínicos com o medicamento, alguns deles apoiados pela OMS, em grupos específicos de pacientes, para que sejam coletadas evidências sobre seus efeitos. A OMS vem recomendando há meses o uso de dexametasona, um corticosteroide muito acessível no mercado internacional, para o tratamento de casos graves de Covid-19, pois tem oferecido os melhores resultados.

*Com informações da EFE