OMS estima que 70% da população precisará ser vacinada para atingir imunidade de rebanho

Especialista da organização disse que ainda não está claro se os imunizantes contra o coronavírus podem reduzir a quantidade de pessoas infectadas ou a capacidade de pacientes de espalharem o vírus

  • Por Jovem Pan
  • 27/11/2020 21h36
EFE/EPA/HOTLI SIMANJUNTAK/ArchivoDiretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, alertou que a Covid-19 continuará se propagando mesmo quando começar a vacinação

Cientistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que cerca de 60% a 70% da população dos países precisará ser vacinada contra a Covid-19 para que a imunidade de rebanho seja atingida. Em uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira, 27, a especialista em vacinas da OMS, Kate O’Brien, disse que ainda não estava claro se as vacinas contra o coronavírus podem reduzir a quantidade de pessoas infectadas ou a capacidade de pacientes de espalharem o vírus. No entanto, afirmou que estudos de modelagem sugerem que até 70% da população precisará ser imunizada para que as pessoas estejam protegidas da doença. “É muito importante que realmente comecemos a obter mais informações sobre o que as vacinas fazem, não apenas para prevenir doenças, mas para realmente prevenir a aquisição do vírus”, pontuou O’Brien.

Já o diretor de emergências da entidade, Michael Ryan, observou que, em algumas situações, direcionar a vacinação a determinados grupos pode ser mais importante do que imunizar toda a população. “Vimos em muitos grupos que apenas 20% dos casos transmitem para outras pessoas, 80% não transmitem para ninguém”, afirmou. “Acho que precisaremos ser muito mais cirúrgicos e precisos sobre exatamente quem é o alvo da vacinação. Pode ser muito mais importante atingir certos segmentos da comunidade”, disse Ryan. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, alertou que a Covid-19 continuará se propagando mesmo quando começar a vacinação. O dirigente explicou, durante entrevista coletiva, que em um primeiro momento o imunizante será destinado apenas aos trabalhadores da saúde, idosos e outras pessoas que fazem parte do grupo de risco, o que ainda deixa bastante espaço para o vírus se movimentar. “Portanto, os testes adicionais devem continuar sendo uma ferramenta vital no controle da pandemia”, afirmou. “Se não sabemos onde está o vírus, não podemos detê-lo. Não podemos isolar, tratar quem está contaminado, nem rastrear seus contatos”, acrescentou. De acordo com Adhanom, todos os países que conseguiram ter um controle eficaz da pandemia de coronavírus tiveram em comum a ênfase na testagem. Por isso, ele defende que o mundo precisa de testes mais baratos, seguros e rápidos.

* Com agências internacionais