OMS faz críticas indiretas às decisões dos EUA de vacinar jovens e desobrigar uso de máscara

Diretor-geral defendeu que doses excedentes deveriam ser doadas ao Covax Facility; especialistas advertiram que acessório pode ser necessário mesmo em países com alta taxa de imunização

  • Por Jovem Pan
  • 14/05/2021 15h15 - Atualizado em 14/05/2021 17h03
EFE/EPA/MARTIAL TREZZINITedros Adhanom Ghebreyesus lembrou que em muitos países do mundo os profissionais da saúde ainda não foram vacinados

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, sugeriu que os países que já atingiram níveis elevados de vacinação contra a Covid-19 deveriam doar as doses excedentes ao invés de utilizá-las para imunizar suas populações mais jovens. “Compreendo que alguns países querem vacinar suas crianças e adolescentes, mas peço que reconsiderem e, em vez disso, doem mais doses ao Covax“, afirmou o diretor nesta sexta-feira, 14. Poucas horas antes, os Estados Unidos começaram a vacinar adolescentes de 12 a 15 anos com doses do imunizante da PfizerBioNTech. Ghebreyesus mencionou que, ao redor do mundo, muitos trabalhadores de saúde ainda não estão vacinados, apesar de estarem lutando contra a pandemia do novo coronavírus há mais de um ano. Ele também lembrou que os países mais pobres administraram apenas 1% das doses aplicadas em todo o mundo e que esse ano a pandemia está prestes a provocar mais mortes do que em 2020.

A OMS também criticou de forma indireta a decisão dos Estados Unidos anunciada na quinta-feira, 13, de permitir que as pessoas que já foram completamente vacinadas contra a Covid-19 não utilizem máscara em ambientes fechados. A diretora do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Rochelle Walensky, afirmou que a atualização nas orientações está apoiada em evidências científicas sobre a eficácia da vacinação. No entanto, especialistas da OMS advertiram que o fim do uso das máscaras em um país não depende apenas do nível de imunização contra a Covid-19. “Com taxas de vacinação elevadas devemos ter níveis baixos de infecções comunitárias, mas há um período de transição enquanto as imunizações aumentam e a transmissão diminui”, declarou Mike Ryan, diretor de Emergências de Saúde da OMS, em uma coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira, 14. Embora não tenha criticado diretamente a medida norte-americana, o especialista irlandês salientou que “cada país deve considerar ambas as variáveis, cobertura de saúde e incidência local, ao alterar as medidas”. A chefe do grupo técnico anti-Covid da OMS, Maria Van Kerkhove, acrescentou que nem sempre foi necessário atingir altas taxas de vacinação para abandonar as máscaras se a transmissão em um país já é baixa, citando o exemplo de países como Austrália e Nova Zelândia.

*Com informações da EFE