ONU adverte para plano de Israel de expulsão de palestinos: ‘Campo de concentração’
A diretora executiva da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), Raquel Martí, advertiu nesta quinta-feira (10) que os planos de Israel para a expulsão da população palestina “para um campo de concentração” geram um “profundo alarme”. Martí, que se reuniu nesta quinta-feira na cidade de Oviedo, na Espanha, com autoridades regionais das Astúrias (região onde Oviedo está localizada), ressaltou a necessidade de manter o apoio político à agência da ONU que representa. Diante do plano de Israel de transferir toda a população da Faixa de Gaza para uma “cidade humanitária” em Rafah – nas palavras do ministro da Defesa israelense, Israel Katz -, a diretora-executiva da UNRWA considerou que o governo israelense está preparando a população palestina para sua “expulsão para um campo de concentração”.
No início da semana, o ministro israelense anunciou em entrevista coletiva, divulgada por veículos de comunicação locais, que havia ordenado às Forças de Defesa de Israel (FDI) a preparação de um plano para estabelecer uma nova “cidade humanitária” em Rafah, com o objetivo de concentrar ali toda a população da Faixa de Gaza. Uma vez lá, segundo explicou o ministro, os palestinos poderão escolher “emigrar voluntariamente” para outros países, como já havia sugerido o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no início do ano. Martí destacou que todas as normas, princípios universais e valores éticos que, desde a Segunda Guerra Mundial, eram considerados inabaláveis “estão sendo aniquiladas”.
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Nesse sentido, advertiu que, “se não for contido”, existe o risco de que isso “se replique em outros lugares do mundo”. “O que Israel está fazendo em Gaza está cruzando todas as linhas vermelhas”, acrescentou, considerando que o que está acontecendo no enclave palestino “não tem precedentes na história moderna”. Martí denunciou ainda que a UNRWA “tem sido criminalizada” por Israel para impedir que a agência possa trabalhar na Palestina, e reforçou a importância de continuar apoiando o multilateralismo, que “está em crise”.
*Com informações da EFE
Publicado por Fernando Dias
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