Papa pede paz no Oriente Médio em primeira bênção de Páscoa

Pontífice condena indiferença à violência e homenageia Francisco, morto horas após sua última aparição pública no Domingo de Páscoa de 2025

  • Por Jovem Pan
  • 05/04/2026 08h58
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ALBERTO PIZZOLI / AFP Papa pede paz no Oriente Médio em primeira bênção de Páscoa Papa pede paz no Oriente Médio em primeira bênção de Páscoa

Em sua primeira bênção de Páscoa como pontífice, o Papa Leão XIV pediu, neste domingo (5), que as lideranças mundiais com poder de decisão “escolham a paz” em vez da guerra. O apelo ocorre em um momento crítico, com o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã se alastrando por toda a região do Oriente Médio e abalando a economia global.

“Estamos nos acostumando com a violência, resignando-nos a ela e nos tornando indiferentes. Indiferentes à morte de milhares de pessoas”, declarou o Papa a uma multidão na Praça de São Pedro. O líder da Igreja Católica, eleito em maio do ano passado, aproveitou a ocasião para convocar uma vigília de oração no Vaticano para o dia 11 de abril.

Durante a cerimônia, Leão XIV também prestou homenagem ao seu antecessor, o Papa Francisco, que faleceu poucas horas após sua última aparição pública no Domingo de Páscoa do ano passado. O atual pontífice tem reiterado apelos pela paz e, nesta semana, instou diretamente o presidente dos EUA, Donald Trump, a encontrar uma solução diplomática para a crise.

Silêncio e restrições na Terra Santa

 

Em Jerusalém, o cenário era de desolação. As ruelas da Cidade Velha, habitualmente lotadas, estavam desertas devido à escalada da guerra. Por questões de segurança, as autoridades israelenses restringiram severamente o acesso à Igreja do Santo Sepulcro. Postos de controle policiais revistavam o reduzido número de fiéis autorizados a circular, enquanto o comércio local permanecia de portas fechadas.

“É muito difícil para todos nós. É o nosso feriado, queremos rezar, mas encontramos tudo fechado”, lamentou a fiel romena Christina Toderas. O sentimento de frustração foi compartilhado pelo Cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém. “O silêncio é quase absoluto, quebrado apenas pelo som distante do que a guerra continua a semear nesta terra santa e devastada”, afirmou em sua homilia.

Impacto regional nas minorias cristãs

A tensão se estendeu por outros países da região. No sul do Líbano, comunidades cristãs ficaram presas no fogo cruzado entre Israel e o Hezbollah. Na vila de Debel, moradores celebraram a data sob o som de bombardeios ininterruptos. “As pessoas estão aterrorizadas. Nossa única esperança é Deus”, relatou Joseph Attieh, liderança local.

Em Dubai, missas foram canceladas por tempo indeterminado como medida de precaução. Já na Síria, as celebrações foram restringidas às missas internas após ataques recentes a cidades cristãs no centro do país, evidenciando o impacto profundo e generalizado do conflito sobre as práticas religiosas no Oriente Médio.

*Com informações da AFP

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