Pesquisa aponta que calafrios, perda de apetite, dor de cabeça e dores musculares podem ser sintomas da Covid-19

Imperial College alerta, no entanto, que cerca de 60% das pessoas infectadas não relataram nenhum indício da doença na semana anterior ao teste

  • Por Jovem Pan
  • 11/02/2021 15h51 - Atualizado em 11/02/2021 17h27
EFE/EPA/ANDY RAINO estudo "React 1" foi realizado com mais de um milhão de pessoas na Inglaterra entre junho e dezembro de 2020 e janeiro de 2021

Além dos sintomas clássicos da Covid-19, como perda de paladar, perda de olfato, tosse e febre, os resultados preliminares da pesquisa “React 1” divulgados pela Imperial College na quarta-feira, 10, apontam que calafrios, perda de apetite, dor de cabeça e dores musculares também estão relacionados à doença. O estudo foi realizado com mais de um milhão de pessoas na Inglaterra entre junho e dezembro de 2020 e janeiro de 2021. A pesquisa alerta que cerca de 60% das pessoas infectadas não relataram nenhum sintoma na semana anterior ao teste. Os pesquisadores utilizaram o teste PCR, colhido por meio do Swab, que utiliza um cotonete para colher secreções do nariz. A “React 1” mostrou que ter qualquer um desses outros sintomas ou os clássicos, isoladamente ou em combinação, estava associado à infecção pelo coronavírus. Quanto mais sintomas as pessoas apresentam, maior é probabilidade do teste ser positivo.

A incidência desses sintomas, porém, variam de acordo com a faixa etária. Dores de cabeça foram relatadas principalmente por jovens de 5 a 17 anos. A perda de apetite, por sua vez, foi relatada por pessoas entre 18 e 54 e com mais 55 anos. As dores musculares, em pessoas de 18 a 54 anos. Calafrios são uma exceção: o sintoma foi associado a testes positivos em todas as idades. Crianças e adolescentes de cinco a 17 anos apresentaram maior probabilidade de relatar febre, tosse persistente e perda de apetite em relação aos adultos.

O professor da Escola de Saúde Pública da Universidade, Paul, Elliott, afirma que os resultados da pesquisa podem ajudar a identificar mais pessoas contaminadas. Com um leque maior de sintomas a serem observados, a chance da doença ser descoberta antes é maior. “Atualmente, as pessoas na Inglaterra são incentivadas a fazer o teste se apresentarem pelo menos um dos quatro sintomas clássicos. Isso é chamado de ‘teste Pilar 2’. Com base nessas novas descobertas, os pesquisadores estimam que o teste atual do ‘Pilar 2’ pegaria cerca de metade de todas as infecções sintomáticas se todos os elegíveis fossem testados. Mas, se os sintomas adicionais forem incluídos, a taxa pode ser melhorada para 3/4 das infecções sintomáticas”, diz Elliott. “Essas novas descobertas sugerem que muitas pessoas com Covid-19 não farão o teste – e, portanto, não se auto isolarão – porque seus sintomas não correspondem aos usado nas orientações atuais de saúde pública para ajudar a identificar pessoas infectadas.”

Nova variante do coronavírus

De acordo com o Departamento de Saúde Pública da Inglaterra, entre novembro e dezembro de 2020, a variante britânica do coronavírus representava cerca de 16% das infecções. Em janeiro de 2021, esse número pulou para 86%. Com a predominância da nova cepa no país, os sintomas mais recorrentes entre aqueles que testam positivo para Covid-19 mudaram. De acordo com a Office for National Statistics (ONS), enquanto antes prevalecia a perda de olfato, agora, a tosse persistente é mais predominante.