PIB dos EUA cai 3,5% em 2020 e tem o pior desempenho desde a Segunda Guerra

Resultado anual foi negativo apesar do crescimento de 4% no último trimestre; Biden aposta em vacinas e estímulos fiscais para recuperação em 2021

  • Por Bárbara Ligero
  • 28/01/2021 14h48 - Atualizado em 28/01/2021 15h04
EFE/EPA/JUSTIN LANEO resultado é consequência da pandemia do novo coronavírus e da instabilidade política durante as eleições presidenciais

O PIB dos Estados Unidos sofreu uma queda de 3,5% em 2020, segundo estimativa do Departamento de Comércio divulgada nesta quinta-feira, 28. Apesar do país ter conseguido obter um crescimento de 4% no último trimestre, o balanço final do ano foi o pior desde 1946, quando os Estados Unidos viviam a transição entre o fim da Segunda Guerra Mundial e o início da Guerra Fria. A última vez que a economia norte-americana tinha tido um índice negativo foi em 2009, durante a crise financeira mundial. O resultado de 2020 é consequência não só da pandemia do novo coronavírus como também da instabilidade política que marcou as eleições presidenciais.

Mesmo antes do início do surto de Covid-19, os Estados Unidos já tinham começado 2020 com uma queda de 5% no PIB. A situação se deteriorou entre abril e junho, quando o país já sentia os efeitos das medidas de lockdown. No terceiro trimestre, a situação melhorou e o PIB teve um crescimento de 33,4% que, no entanto, não foi suficiente para reparar os danos já causados. Por fim, entre outubro e dezembro o índice aumentou mais 4%, sendo que a expectativa é que a economia continue se recuperando em 2021, segundo o jornal norte-americano The Wall Street Journal.

Um dia antes da divulgação do PIB de 2020, o presidente do Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos já havia alertado que a recuperação econômica está diretamente ligada ao desenvolvimento da pandemia do novo coronavírus. Ele explicou que as medidas para conter a propagação do Sars-Cov-2 pesam sobre a atividade econômica e mantém os níveis de desemprego elevados. A emissora de televisão norte-americana CNN aponta que a taxa de poupança pessoal permaneceu elevada em 13,4%, sendo que o fato das pessoas estarem deixando o dinheiro no banco não é um bom sinal para uma economia impulsionada pelos gastos do consumidor.

Nesse sentido, o governo do novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, aposta na campanha de vacinação e nas políticas de estímulos fiscais como forma de recuperar a economia. Nesta terça-feira, 26, o democrata anunciou a compra de mais 200 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 – metade da PfizerBioNTech e metade da Moderna. Além disso, o presidente pretende destinar US$ 1,9 trilhão a transferências diretas para a população, reforços de subsídios federais por desemprego e fundos adicionais para a distribuição de vacinas. O seu projeto de lei, que ainda precisa ser aprovado pelo Senado, também prevê aumento do salário mínimo para US$ 15 por hora, uma das principais promessas da campanha de Biden.