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Prefeito de Nova York chama captura de Maduro de ‘ato de guerra’ e acusa EUA de violar o direito internacional

Zohran Mamdani afirmou que a 'tentativa flagrante de mudança de regime não afeta apenas aqueles que estão no exterior, mas também impacta diretamente os nova-iorquinos, incluindo dezenas de milhares de venezuelanos que vivem na cidade' 

Victor Trovão

Zohran Mamdani
Zohran Mamdani MICHAEL M. SANTIAGO / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, classificou neste sábado (3) como “ato de guerra” e “violação do direito federal e internacional” a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, anunciada na madrugada pelo governo dos Estados Unidos.

Em uma mensagem publicada em sua conta na rede social X (ex-Twitter), Mamdani advertiu que essa “operação unilateral para mudar o regime venezuelano” não afeta apenas países terceiros, mas também tem repercussões diretas na cidade.

“Atacar unilateralmente uma nação soberana é um ato de guerra e uma violação do direito federal e internacional”, afirmou ele, referindo-se à operação anunciada pelo presidente Donald Trump.

“Esta tentativa flagrante de mudança de regime não afeta apenas aqueles que estão no exterior, mas também impacta diretamente os nova-iorquinos, incluindo dezenas de milhares de venezuelanos que chamam esta cidade de lar”, afirmou o prefeito, acrescentando que foi informado da detenção de Maduro e sua esposa, bem como de sua transferência para custódia federal em Nova York.

“Meu foco é a segurança deles e a de todos os nova-iorquinos, e minha administração continuará monitorando a situação e emitindo orientações relevantes”.

O processo contra Maduro será julgado no Tribunal Distrital para o Distrito Sul de Nova York, onde os promotores federais já haviam apresentado acusações em 2020 por narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína e crimes com armas automáticas, que acarretam penas potencialmente muito elevadas.

Neste sábado, foi tornada pública uma “acusação substitutiva” perante o juiz federal Alvin K. Hellerstein, que já supervisionava o processo aberto em 2020. A acusação original, baseada em uma investigação da Agência Antidrogas dos EUA (DEA), apontava Maduro como líder do Cartel de los Soles, uma rede ligada a altos comandos militares venezuelanos que buscava enriquecer e “usar a cocaína como arma contra os Estados Unidos”.

O documento mantém as acusações de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína e crimes relacionados com armas automáticas e artefatos destrutivos, amplia a descrição das “atividades ilícitas” e incorpora novos réus, como a esposa de Maduro e um de seus filhos, com penas que podem resultar em longas condenações à prisão.

De acordo com a imprensa local, Maduro e sua esposa estão a caminho de Nova York. Ambos deverão comparecer ao tribunal para responder a quatro acusações relacionadas ao narcoterrorismo e ao tráfico de cocaína.

Em casos semelhantes, os acusados foram transportados de avião para o aeroporto Stewart International, no condado de Orange, a cerca de 115 quilômetros ao norte da cidade, e depois levados ao tribunal federal em Manhattan.

Por sua vez, Mamdani, do Partido Democrata, indicou que sua gestão se concentrará na “segurança da comunidade venezuelana e de todos os nova-iorquinos” e que continuará monitorando a situação para emitir as recomendações pertinentes.

Em paralelo, a governadora do estado de Nova York, a também democrata Kathy Hochul, classificou a operação como “flagrante abuso de poder” e destacou que Trump agiu “sem a aprovação do Congresso”.

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Da mesma forma, a congressista nova-iorquina Alexandria Ocasio-Cortez, da ala progressista dos democratas, afirmou que a operação “não é sobre drogas” e que se trata de “petróleo e mudança de regime”, criticando ainda uma tentativa de desviar a atenção de outras questões nacionais, como o caso do falecido financista acusado de tráfico sexual de menores Jeffrey Epstein e o aumento dos custos com saúde.

*Com EFE

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