Procurador obtém acesso a 8 anos de declarações de Imposto de Renda de Trump

O democrata Cyrus Vance vasculhará os documentos para investigar se o ex-presidente violou as leis de financiamento de campanha eleitoral ou se realizou fraudes fiscais para pagar menos impostos

  • Por Jovem Pan
  • 25/02/2021 16h21 - Atualizado em 25/02/2021 18h30
EFE/ Chris Kleponis / PoolA principal acusação é que Trump tenha desviado dinheiro da campanha para pagar pelo silêncio da atriz pornô Stormy Daniels

O procurador do distrito de Manhattan, Cyrus Vance, obteve acesso a oito anos de declarações de Imposto de Renda do ex-presidente Donald Trump. A liberação aconteceu nesta segunda-feira, 22, horas depois da Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitar a continuidade do sigilo dos dados, que os advogados do bilionário vinham tentando manter há mais de um ano. Segundo a emissora de televisão norte-americana CNN, os documentos fiscais que estavam com a empresa de contabilidade Mazars cobrem o período de janeiro de 2011 a agosto de 2019 e incluem não só declarações financeiras como também acordos, comunicados e outros anexos. O objetivo de Cyrus Vance é investigar possíveis fraudes fiscais, avaliações inflacionadas, deduções injustificadas e contabilizações duplas feitas para pagar menos impostos ao longo dos anos. Caso isso fique comprovado, é possível que Donald Trump e várias pessoas próximas a ele sejam chamadas para prestar depoimento.

As acusações do procurador de Manhattan giram em torno do caso envolvendo a atriz pornô Stormy Daniels, com quem Donald Trump teria tido relações sexuais no passado. O ex-advogado do republicano, Michael Cohen, teria repassado US$ 130 mil para que a mulher não dissesse nada que pudesse prejudicar o magnata na corrida à presidência em 2016. A investigação procura esclarecer se esses pagamentos violaram as leis de financiamento de campanhas eleitorais e, para isso, pediu o acesso à oito anos de declarações de imposto de renda de Trump. Nos últimos anos, o ex-presidente insistiu em não entregar os documentos com o argumento de que a ordem é ampla demais, foi emitida “de má-fé” e equivale a “assédio” político do Partido Democrata.

Enquanto isso, também houve avanço no processo judicial relacionado com a autora e jornalista Jean Carroll, que acusa o republicano de tê-la estuprado dentro de uma loja de departamentos de Nova York na década de 1990. Trump chamou a ex-colunista da revista Elle de “mentirosa” por essas afirmações e justificou que a mulher, que hoje tem 77 anos, não fazia o seu “tipo”. Carroll decidiu, então, entrar com uma ação civil de difamação que está correndo desde novembro de 2019. O ex-presidente vinha se esquivando do caso alegando que as suas funções o impossibilitavam de responder legalmente, mas essa semana os advogados da jornalista voltaram a pressionar para que ele compareça à Justiça para depor.

*Com informações da EFE