Professores do Chile pedem suspensão de aulas após aumento de contágios da Covid-19

Uma semana depois do início do ano letivo, 46 escolas relataram contaminações ao governo

  • Por Jovem Pan
  • 05/03/2021 21h36
EFE/Alberto Valdés46 escolas registraram contágios da Covid-19 após 1 semana da volta das aulas

O Colégio de Professores do Chile pediu nesta sexta-feira, 05, a suspensão das aulas em todo o país devido a um aumento significativo do número de casos de Covid-19, uma semana após o início do ano letivo e em um momento em que 46 escolas relataram contágios. Por meio de seu presidente, Carlos Diaz, o sindicato dos professores chilenos fez um “apelo urgente” ao governo para suspender o plano de retorno às aulas enquanto as condições de saúde não permitirem, considerando que o país detectou nas últimas 24 horas mais de 5.300 novos contágios, o número mais alto em um só dia desde o período mais difícil da pandemia. “Dadas as condições que temos hoje, não é possível continuar com as aulas in loco em todo o país”, disse.

Autoridades educacionais e comunidades escolares, acrescentou Diaz, estariam “colocando suas vidas em risco porque têm que se deslocar e permanecer em cada um dos estabelecimentos educacionais”. Como em 2020, o sindicato propôs continuar com aulas online enquanto a pandemia não é controlada. Embora o retorno às salas de aula em todo o país tenha sido iniciado “voluntariamente, de forma gradual, flexível e segura”, nas palavras do presidente chileno, Sebastián Piñera, as quarentenas preventivas em dezenas de escolas não demoraram a ocorrer, menos de três dias após o início do ano letivo.

No entanto, o Ministério da Saúde descartou que os contágios registrados nos estabelecimentos de ensino tivessem ocorrido dentro deles. “É impossível culpar as escolas”, disse o ministro da pasta, Enrique Paris. “Como é possível que tenham dito isso quando as escolas mal foram abertas, e no primeiro dia de aula apareceu um caso positivo? Todos nós sabemos que o período de incubação é de 14 dias, isso está enganando a opinião pública”, acrescentou Paris em entrevista coletiva. Depois de receber críticas pelas modificações introduzidas no plano “Passo a Passo” do governo, que até agora permite a abertura de escolas, academias e cassinos na fase 2, o ministro alegou que os locais com mais liberdades funcionam “com muitas exigências”.

Paris reconheceu que a possibilidade de contágio existe e que “está sendo feito um monitoramento muito rigoroso”. “As escolas são muito mais seguras do que as próprias residências para crianças que têm pouco apoio social, que não têm boa alimentação e que não têm conexão com a internet”, declarou. O Chile já registrou 845.450 casos de Covid-19 e quase 21 mil mortes relacionadas à doença desde o início da pandemia.

*Com informações da EFE