Turismo de vacinação: Veja países que imunizam estrangeiros contra a Covid-19

Enquanto algumas nações já indicaram que imunizarão viajantes no futuro, outras atraem pessoas que aproveitam brechas nas regras para serem vacinadas de forma irregular

  • Por Bárbara Ligero
  • 08/04/2021 12h14 - Atualizado em 08/04/2021 16h30
SweetMellowChill PixabayVai para Cuba? Curtir uma estadia na ilha caribenha e voltar para o Brasil imunizado já é uma possibilidade

Conforme a imunização contra o novo coronavírus avança de forma lenta pelo mundo, o turismo de vacinação surge como uma perspectiva interessante para quem dispõe de tempo e dinheiro para viajar com o intuito de receber as duas doses. O assunto já tinha gerado polêmica em janeiro, quando o jornal Clarín noticiou que a elite da Argentina estava viajando para a Flórida, nos Estados Unidos, para ser vacinada contra a Covid-19. Os rumores chamaram atenção do governador Ron DeSantis, que detectou que só naquele mês 39 mil pessoas que não moravam no estado tinham recebido as vacinas da PfizerBioNTech ou da Moderna. A partir de então, a Flórida passou a exigir um comprovante de residência. No caso do estado norte-americano, nunca houve um convite para que os estrangeiros interessados fossem se vacinar ali, e sim uma brecha que possibilitou a ida de pessoas de outros países. Nas últimas semanas, no entanto, vem acontecendo algo diferente, com algumas nações insinuando, mesmo que de forma velada, que teriam doses de sobra para quem quisesse viajar até lá. Confira abaixo exemplos desses dois casos:

Cuba

No dia 3 de março, Cuba anunciou que pretende produzir 100 milhões de doses da sua vacina Soberana e que planeja imunizar todos os 11 milhões de cubanos até o fim do ano. Na sequência, o diretor do centro de pesquisa médica do Instituto Finlay de Havana, Vicente Vérez, afirmou que o imunizante estará disponível a todos os turistas que visitarem a ilha e desejarem ser vacinados. O governo cubano não divulgou mais informações de como aconteceria essa campanha no futuro, mas atualmente é preciso apresentar um teste RT-PCR antes de embarcar para a ilha caribenha, fazer um novo teste na chegada e aguardar o resultado em quarentena em um hotel. Além disso, o turista precisaria ficar pelo menos 30 dias no destino para conseguir receber as duas doses.

Emirados Árabes

A informação oficial dos Emirados Árabes é de que apenas residentes com documentos do país podem receber a injeção. No entanto, no final de janeiro o jornal The Telegraph denunciou que uma empresa de turismo de luxo britânica, a Knigthbridge Circle, estava anunciando um pacote de viagem de R$ 280 mil para quem quisesse passar quatro semanas em Dubai. O valor incluía voos na primeira classe da Emirates, acomodação em hotel cinco-estrelas com vista para o mar e, claro, a vacina contra a Covid-19 da Sinopharm. Stuart McNeill, fundador da agência que só atende pessoas com um patrimônio mínimo de US$ 800 milhões, afirmou que aproximadamente 20% da sua clientela já tinha viajado para Abu Dhabi ou Dubai para serem imunizados.

Israel

Com uma campanha de vacinação modelo, Israel é o país do mundo com maior número de doses administradas por mil habitantes. Segundo o jornal local The Times of Israel, em janeiro o Ministério da Saúde estipulou vacinação gratuita para todos que estiverem no país, independente de terem ou não cidadania israelense. No entanto, ao desembarcar na nação é preciso ficar em quarentena por 10 a 14 dias e depois esperar ao menos três semanas de intervalo entre uma dose e outra da vacina da Pfizer-BioNTech.

Panamá

No dia 8 de janeiro, o representante do Ministério da Saúde do Panamá, Israel Cedeño, disse ao jornal local La Estrella que tanto os panamenhos quanto os estrangeiros poderão receber o imunizante contra a Covid-19 da Pfizer-BioNTech. “O Panamá nunca discriminou em questão de vacinação, os estrangeiros podem estar fazendo turismo e, caso estejam no período indicado, podem ser vacinados”, afirmou.

Apesar de não estar incentivando diretamente a vinda de estrangeiros, desde o dia 18 de janeiro a Rússia está com a sua campanha de vacinação contra a Covid-19 aberta para qualquer pessoa, sem restrição de grupos prioritários. No caso dos estrangeiros, basta apresentar um documento de identificação, como o passaporte, para receber de forma gratuita a Sputnik V, a EpiVacCorona ou a CoviVac. Na semana passada, a agência de notícias Deutsche Welle afirmou que muitos alemães frustrados com a lentidão da campanha em seu próprio país estão planejando ir se vacinar na Rússia. Isso estaria sendo feito através da agência de viagens norueguesa World Visitor, que está vendendo pacotes entre R$ 8 mil e R$ 20 mil que incluem imunização em duas idas de quatro dias cada a Moscou. A italiana EurAsian Travel também estaria estudando a criação de excursões semelhantes. O grande entrave, nesse caso, é que por enquanto as fronteiras russas continuam fechadas para boa parte dos países do mundo.