Ofensiva militar israelense deixa pelo menos 43 mortos em dois dias
Saud Abu Ramadan e Javier Martín
Gaza/Jerusalém, 9 jul (EFE).- O Exército israelense intensificou nesta quarta-feira sua ofensiva aérea contra Gaza, onde atacou mais de 160 alvos com fogo de artilharia naval e caças-bombardeiros que já causaram a morte de pelo menos 43 pessoas, incluindo sete crianças.
Segundo o comando militar, a aviação e a marinha centraram seus esforços sobre as plataformas de lançamento de foguetes palestinos, que não param de cair desde o começo da operação, e contra possíveis túneis, que considera uma das principais ameaças.
Fontes militares indicaram à Agência Efe que um dos temores é que as “Brigadas Ezedin al-Qassam”, braço armado do movimento islamita Hamas, possa utilizar formas subterrâneas para tentar se infiltrar.
E atacar através deles o interior de Israel, como já tentou na terça-feira um comando de cinco homens em uma operação marítima que terminou com uma escaramuça na qual morreram os atacantes e um soldado israelense ficou levemente ferido.
“Desde as 7h, as Forças Armadas lançaram 129 ataques que alcançaram 31 túneis, 60 plataformas de lançamento de foguetes e 38 centros operacionais do Hamas”, explicou o Exército israelense em comunicado .
Além disso, o exército assegurou ter alcançado nesses ataques de precisão dois supostos líderes islamitas, que foram identificados como responsáveis pelo lançamento de foguetes no norte e no sul da Faixa.
Os mísseis israelenses mataram também, no entanto, outras 19 pessoas nesta quarta-feira, a maioria civis, em intensos bombardeios contra casas e campos de cultivo no norte, sul, centro e leste da Faixa.
Segundo números proporcionadas por Ashraf al Qadra, porta-voz de emergências do Ministério da Saúde da Faixa, em apenas 48 horas de campanha militar 43 palestinos morreram e mais de 400 ficaram feridos, principalmente civis.
Os milicianos, por sua vez, lançaram desde ontem à noite cerca de 50 foguetes, 14 dos quais foram interceptados por um escudo antimísseis, um sistema defensivo financiado pelos EUA que, segundo o Exército, está tendo 90% de efetividade.
Alguns dos foguetes alcançaram áreas mais afastadas do perímetro de Gaza, como a cidade de Jerusalém -onde ontem à noite caíram três sem causar vítimas- e na cidade de Hadera, a mais de 120 quilômetros ao norte da Faixa.
Nenhum, no entanto, causou vítimas entre a população israelense.
Os foguetes seguiram caindo de forma escalonada durante o dia todo de hoje em torno das povoações vizinhas à Faixa e inclusive chegaram a sobrevoar a área metropolitana de Tel Aviv, onde foram interceptados pelas baterias antiaéreas.
A ameaça disparou durante algumas horas no aeroporto internacional de Ben Gurion, situado a 15 quilômetros de Tel Aviv.
Uma situação que o ministro da Defesa de Israel, Moshé Yaalon, disse nesta quarta-feira que seu país não vai permitir.
Em reunião operacional com o Estado-Maior, Yaalon confirmou que “Limite Protetor” será ampliado e intensificado de forma paulatina nos próximos dias até alcançar seus dois alvos: frear o lançamento de foguetes e debilitar ao máximo a infraestrutura do Hamas em Gaza.
Para o primeiro, especialistas militares e diplomatas consideram que a aviação e a artilharia naval que Israel agora utiliza é suficiente.
A segunda demandaria, no entanto, uma incursão terrestre que o Exército já começa a planejar, afirmam.
Nos dois últimos dias, o governo israelense autorizou a mobilização de 41,5 mil reservistas, cuja incumbência será liberar tropas regulares de tarefas administrativas e reforçar assim a infantaria e a cavalaria que o Exército já tem enviadas no perímetro da Faixa.
“Estamos assassinando terroristas de diferente categoria, e esta operação prosseguirá e se intensificará. Por nossa parte, esta não será uma batalha curta. Seguiremos batendo duro no (movimento islamita) Hamas e em outros grupos terroristas”, afirmou Yaalon.
Em Gaza, a população palestina também se prepara para este eventual aumento das operações bélicas israelenses, no meio da escassez pela falta de eletricidade, de combustível e inclusive alimentos.
Longas filas de homens, mulheres e crianças se formam ao meio-dia e ao cair a tarde, pouco antes da ruptura do jejum do Ramadã, para comprar pão e os poucos produtos que restam nas poucas lojas abertas.
“Estamos verdadeiramente assustados desta vez, porque tememos que tudo se complique ainda mais. Por isso comprei muito pão, para guardá-lo”, explicou à Agência Efe Mohamad Arafat, um comerciante de roupa de 38 anos, pai de quatro filhos.EFE
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