Orgulhosas, mulheres chinesas exibem seus pelos nas axilas nas redes sociais

  • Por Agencia EFE
  • 16/06/2015 07h04

Tamara Gil.

Pequim, 16 jun (EFE).- Depois que o governo chinês deteve cinco feministas em março, um grupo formado por mulheres chinesas voltou ao ataque com uma campanha que gerou debate: um concurso de fotos de moças com pelos nas axilas.

“Na China, se as mulheres não depilam as axilas, sofrem muita pressão. As pessoas acham pouco elegante”. Por essa razão, Xiaomei Li, uma proeminente ativista de 25 anos, decidiu iniciar um concurso na internet para abrir um debate. “Por que as mulheres devem se depilar?”.

Xiaomei pediu às mulheres que publicassem uma foto mostrando as axilas com os pelos. “Não esperava este resultado, foi muito melhor do que pensei”, contou à Agência Efe, contente com a discussão que gerou durante a última semana.

Várias fotografias de jovens chinesas posando com vestidos justos, perfeitamente maquiadas ou com roupa íntima, e sempre com os braços para o alto, circulam pelo Weibo (o equivalente chinês do Twitter), onde há vários comentários a favor e contra a depilação, inclusive alguns ofensivos contra Xiaomei, criticada por realizar uma campanha “asquerosa”.

“Esperava todos os tipos de respostas. Este era o fim: provocar opiniões”, afirmou a jovem, que presenteou com uma centena de preservativos a mulher que mais “curtidas” recebeu por sua foto, deu um vibrador à menina que ficou no segundo posto e um dispositivo para fazer xixi em pé à terceira.

À campanha se somaram meninas anônimas, mas também três das cinco feministas mais importantes da comunidade chinesa, que foram presas em março durante 37 dias quando tentavam realizar um ato de conscientização contra as agressões sexuais no transporte público.

A detenção, aliás, provocou a maior denuncia local e internacional contra uma prisão na China nos últimos anos, e não conseguiu silenciá-las.

“Me junto a todas as atividades feministas que posso. E com esta iniciativa não seria uma exceção”, contou à Efe Li Tingting, conhecida popularmente por seu pseudônimo “Li Maizi” ou “Max”, e uma das mais destacadas defensoras da mulher na China com apenas 25 anos.

Nesta ocasião, Li lançou mão de uma fotografia que tinha tirado em 2012 para defender a aprovação da primeira Lei contra a violência de gênero no país -que o Executivo ainda segue debatendo- e na qual ela é vista seminua, com o cabelo cortado como “o de qualquer menino na China” e com os braços para o alto mostrando suas axilas com pelos pretos.

“No mercado, temos produtos de todos os tipos para nos depilar, inclusive antes de pensarmos no por que temos que tirar os pelos. Esta é uma boa oportunidade contra o consumo e para refletir sobre a relação das mulheres com seu corpo”, sustentou a jovem Li, que confessa que tem medo de voltar à prisão, mas isso não a impede de seguir “lutando”.

O objetivo é “romper tabus e ampliar o debate”, um fim que não é fácil na China, onde a censura afoga muitas das suas iniciativas, segundo denunciam as feministas.

Após a detenção das “chamadas cinco irmãs”, as defensoras das mulheres “não estão em um bom momento” e não se sabe muito bem “para onde se dirigem”, segundo comentou à Efe Xiong Jing, uma das responsáveis da ONG pequinesa Women Network.

Por isso, Xiong decidiu se somar ao concurso, já que “trata-se de uma atividade menos polêmica -para o governo- e que volta a pôr sobre a mesa os direitos da mulher”.

No ano passado, lembrou, também houve uma campanha similar, embora neste ano o objetivo seja mais claro. “Nós temos direito sobre nosso corpo, nos depilar ou não é uma decisão nossa e não deveria ser imposta pela sociedade”.

“Nosso corpo é nosso campo de batalha”, sentenciou a famosa Li Tingting, que protagonizou populares campanhas no país como “Ocupar os banheiros dos homens” para pedir mais assentos para as mulheres.

Tanto Li como Xiaomei Li, a promotora da última campanha feminista, já descobriram que não estão sós.

“Após lançar o concurso, descobri a Madonna fazendo o mesmo”, disse Xiaomei, que espera que, como nos Estados Unidos, uma “Madonna chinesa” consiga revolucionar a rede e os meios de comunicação com uma fotografia de suas axilas em seu estado natural: com “seus lindos pelos”. EFE

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