Bharat encerra contrato com Precisa Medicamentos e nega autenticidade de documentos enviados à Saúde

Em comunicado oficial, laboratório indiano afirmou que continuará a ‘trabalhar diligentemente com a Anvisa para concluir o processo de aprovação regulamentar para Covaxin’

  • Por André Siqueira
  • 23/07/2021 11h51 - Atualizado em 23/07/2021 18h58
EFE / Rajat Gupta / ArchivoBharat disse que a Covaxin foi ofertada ao Brasil com o preço de US$ 15 por dose

A Bharat Biotech, fabricante da vacina Covaxin, anunciou, nesta sexta-feira, 23, o encerramento de seu contrato com a Precisa Medicamentos, empresa que representava a farmacêutica no Brasil e intermediou a compra do imunizante pelo governo do presidente Jair Bolsonaro. A informação consta em um comunicado oficial publicado pelo laboratório, que diz não reconhecer a autenticidade de dois documentos enviados pela Precisa ao Ministério da Saúde. Um integrante da CPI da Covid-19 confirmou à Jovem Pan que o material faz parte da documentação entregue. Em nota, a Bharat diz que o fim do acordo tem “efeito imediato”. A companhia também afirma que “continuará a trabalhar diligentemente com a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária], o órgão regulador de medicamentos do Brasil para concluir o processo de aprovação regulamentar para Covaxin”. No comunicado, a Bharat disse que a Covaxin foi ofertada ao Brasil com o preço de US$ 15 por dose e ressaltou que não recebeu nenhum adiantamento nem forneceu vacinas ao Ministério da Saúde.

Na última semana, uma reportagem da rádio CBN mostrou que havia inconsistências na documentação: o nome da fabricante está errado, o endereço tem um erro de inglês e o endereço do laboratório na Índia também contém um equívoco. “Recentemente, fomos informados de que certas cartas (anexas), supostamente, foram assinadas por executivos da empresa estão sendo divulgados online. Gostaríamos de ressaltar enfaticamente que estes documentos não foram emitidos pela Empresa ou seus executivos e, portanto, os negamos veementemente. A Empresa [Bharat] também destaca que todas as suas ações, incluindo suas negociações globais, são feitas de acordo com as leis locais e que a Empresa emprega e segue os mais altos padrões de ética, integridade e conformidade em todos os momentos”, diz um trecho da nota. Também em comunicado oficial, a Precisa afirma que “lamenta o cancelamento do memorando”. “A Precisa jamais praticou qualquer ilegalidade e reitera seu compromisso com a integridade nos processos de venda, aprovação e importação da vacina Covaxin, tanto que, nesta quinta-feira (22), obteve mais um passo relevante, com a aprovação, pela Anvisa, da fase três de testes no Brasil, a ser feita em parceria pelo Instituto Israelita Albert Einstein. Todos os trâmites foram conduzidos pela Precisa Medicamentos, que cumpriu os pré-requisitos impostos pela agência e apresentou todas as informações necessárias”, acrescenta.

A compra da Covaxin é a principal linha de investigação da CPI da Covid-19. Os senadores criaram um núcleo de trabalho para apurar as denúncias de irregularidades apresentadas pelos irmãos Luis Ricardo Miranda, chefe de Importação do Ministério da Saúde, e Luis Miranda (DEM-DF), deputado federal. Os trabalhos são conduzidos pela senadora Simone Tebet (MDB-MS) e pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Em sessão do dia 6 de julho, a emedebista, líder da bancada feminina no Senado, apontou erros nas invoices, espécie de nota fiscal, apresentadas pelo governo Bolsonaro para rebater as acusações. De acordo com Tebet, o documento apresentado pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, e pelo ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Elcio Franco Filho apresenta uma série de indícios de manipulação, entre eles, erros de inglês – a palavra price (preço, em tradução livre) foi substituída por prince (príncipe, em tradução livre). Os irmãos Miranda se reuniram com o presidente Jair Bolsonaro, no dia 20 de março, no Palácio da Alvorada, para reportar os erros no processo de aquisição dos imunizantes. Bolsonaro está sendo investigado pelo suposto crime de prevaricação.