Ciro defende Aécio como presidenciável; ex-governador já chamou deputado de ‘cadáver’

Em nota, presidente estadual do PSDB no Ceará afirma que pré-candidatura é necessária para conter polarização

  • Por Nícolas Robert
  • 29/05/2026 08h51 - Atualizado em 29/05/2026 08h59
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Marcelo Fonseca / Estadão Conteúdo e Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados Presidente do PSDB no Ceará, Ciro Gomes, e o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) Presidente do PSDB no Ceará, Ciro Gomes, e o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG)

O presidente do PSDB no Ceará, Ciro Gomes, defendeu o lançamento da pré-candidatura do deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência da República para as eleições de outubro. O posicionamento ocorre após um histórico de críticas de Ciro ao parlamentar mineiro, a quem já classificou como “cadáver político” em 2017 e com quem afirmou não desejar contato em 2022.

Em nota, o pré-candidato ao Governo do Ceará justificou o apoio como uma medida para buscar o equilíbrio no cenário político atual. “Vejo como muito importante para este momento brasileiro a possibilidade de o PSDB lançar a candidatura de Aécio Neves à presidência da República”, afirmou.

Segundo o ex-governador, o país necessita de um projeto que preze pela conciliação para superar o “fosso ideológico” entre as forças políticas.

“O aprofundamento do fosso ideológico, manipulado de lado a lado de forma interesseira e imediatista, não permitirá ao Brasil reunir-se, como dramaticamente necessita, após a disputa eleitoral radicalizada”, disse Ciro.

Pré-candidatura

A manifestação de Ciro ocorre após declarações do próprio Aécio Neves na terça-feira (26). Em entrevista à Jovem Pan, o deputado afirmou que “se preparou a vida inteira” para o cargo e que tem disposição para a disputa.

Aécio avaliou que seu papel atual é “posicionar o PSDB no centro da política” e criticou a polarização entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), nomes que, segundo ele, não apresentam avanços para o futuro do Brasil.

Histórico de divergências

O apoio de Ciro Gomes marca uma mudança em relação a declarações anteriores. Em 2017, durante encontro com empresários na Firjan, Ciro afirmou que Aécio era um “cadáver político” e que “o que faz com o cadáver é enterrar”. Na ocasião, o ex-ministro criticava a manutenção do parlamentar na presidência do PSDB.

Em 2022, Ciro reforçou o distanciamento por meio das redes sociais, escrevendo: “Há anos que não tenho qualquer tipo de contato com deputado Aécio Neves. Nem pretendo ter”.

 

Apoio do partido

Além da ala cearense presidida por Ciro, o ex-senador Tasso Jereissati também defendeu o nome de Aécio Neves. Em nota, Jereissati afirmou que a pré-candidatura reafirma o compromisso histórico do PSDB com o Plano Real e a responsabilidade fiscal.

De acordo com o ex-senador, Aécio se apresenta como uma alternativa de “retomada de um projeto social-democrata de sucesso e longe dos extremos”.

“Neste momento em que nos vemos sob o risco de uma danosa divisão entre brasileiros, resultado de posições da extrema direita e da esquerda, Aécio se apresenta com não apenas como conciliador, mas como retomada de um projeto social-democrata de sucesso e longe dos extremos”, afirma o ex-senador.

O PSDB deve discutir internamente a viabilização da candidatura para o pleito presidencial que ocorre daqui a cinco meses.

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