CPI da Covid-19: Nise Yamaguchi processa senadores e pede R$ 320 mil por danos morais

Ação atinge Omar Aziz, presidente da comissão, e Otto Alencar; médica afirma que foi vítima de misoginia, preconceito contra as mulheres, e humilhação durante seu depoimento

  • Por Giullia Chechia Mazza
  • 20/06/2021 20h19
Foto: FREDERICO BRASIL/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOEm seu depoimento à CPI, a médica esclareceu questões relacionadas à mudança na bula de medicamentos e à possível existência de um gabinete paralelo ao Ministério da Saúde

A médica oncologista Nise Yamaguchi decidiu processar por danos morais os senadores Omar Aziz (PSD), presidente da CPI da Covid-19, e Otto Alencar (PSD), integrante da comissão. A especialista afirma que sofreu humilhação e foi vítima de misoginia, termo que se refere ao preconceito às mulheres, durante seu depoimento em 1º de junho à CPI. Por isso, ela pede a indenização de R$ 160 mil a cada um dos parlamentares. “São notórios e de conhecimento nacional o desrespeito e a humilhação por mim sofridos durante o depoimento prestado à CPI da Pandemia. Médica há mais de quatro décadas, nunca imaginei passar por situação parecida. É triste perceber que, no Senado, a Casa do povo brasileiro, mesmo após décadas de evolução, ainda se perpetuem comportamentos misóginos”, registra a carta à qual a Jovem Pan teve acesso.

No documento, a oncologista ainda destaca que “interesses políticos” conduziram a sessão. “Por diversas vezes, tive falas e raciocínios interrompidos. Ignoraram meus argumentos e atribuíram a mim palavras que não pronunciei. Não foi por falta de conhecimento que deixei de reagir, mas sim por educação. Não alteraria a minha essência para atender a nítidos interesses políticos. A partir daquele momento, passei a ser extremamente vilipendiada nas redes sociais com agressões em tons ameaçadores, o que é muito preocupante para um estado democrático”. Yamaguchi também agradeceu às manifestações de apoio que recebeu de entidades como o Conselho Federal de Medicina e o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal.

Estando entre os 14 investigados da CPI, em seu depoimento, a médica esclareceu questões relacionadas à mudança na bula de medicamentos e à possível existência de um gabinete paralelo ao Ministério da Saúde, que teria auxiliado o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na administração da pandemia no Brasil.  “Na qualidade de mulher e de idosa, optei por entrar com uma ação judicial contra os senadores Omar Aziz e Otto Alencar, como uma medida para restaurar a minha integridade e a de diversos outros médicos brasileiros, os quais também foram afetados com discursos proferidos pelos parlamentares naquele dia”, conclui a oncologista. Se ganhar a ação, ela afirma que doará integralmente a soma de R$ 360 mil a hospitais que atendem crianças com câncer.