CPMI do INSS pede informações do STF sobre linha que manteve contato com Vorcaro
O senador Carlos Viana (Podemos-MG) pediu nesta quinta-feira (19) à diretora-geral do Supremo Tribunal Federal (STF), Desdêmona Tenório de Brito Toledo Arruda, o envio de informações de usuários que utilizam uma linha vinculada à Corte. Segundo o parlamentar, na quebra de sigilo do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi citado um número vinculado à Corte.
Em comunicado, o presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura fraudes no INSS explicou que solicitou a empresas de telefonia, por meio do sistema Sittel, a confirmação da titularidade da linha. Em resposta, segundo Viana, foi confirmado que o número estava vinculado ao STF.
“Diante dessa confirmação, registra-se que há indício de que o sr. Vorcaro manteve contato com alguém vinculado ao Supremo Tribunal Federal. Ressalta-se, contudo, que não é possível, nesse momento, afirmar a identidade de qualquer autoridade específica“, disse o senador.
A Jovem Pan entrou em contato com o STF por meio da assessoria. A Corte não se manifestou sobre o assunto até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto.
Entenda o caso Master
Após identificar indícios de irregularidades financeiras e a grave crise de liquidez, o Banco Central determinou, em 18 de novembro, a liquidação extrajudicial do:
- Banco Master S/A;
- Banco Master de Investimentos S/A;
- Banco Letsbank S/A;
- Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.
Em 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital do Master, teve o seu encerramento forçado.
O processo de liquidação foi acompanhado da Operação Compliance Zero. Também em 18 de novembro, a Polícia Federal (PF) deflagrou a primeira fase da ação para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Diante da possibilidade de fuga, Vorcaro foi preso um dia antes. O banqueiro foi solto com o uso de tornozeleira eletrônica. Em 4 de março, ele foi detido novamente.
Segundo as investigações, o Banco Master oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima do mercado. Para sustentar a prática, a instituição passou a assumir riscos excessivos e estruturar operações que inflavam artificialmente o seu balanço financeiro, enquanto a liquidez se deteriorava.
Os episódios do Banco Master e da gestora de investimentos Reag, liquidada em 15 de janeiro, são os mais graves do sistema financeiro brasileiro. Os casos envolvem, além das fraudes, tensões entre o STF e o Tribunal de Contas da União (TCU), bem como com o Banco Central e a PF.
Em 17 de janeiro, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank. O valor total a ser pago em garantias soma R$ 40,6 bilhões.
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