De saída do PSL, deputados bolsonaristas cogitam filiação ao PSC

Partido abrigou o presidente Jair Bolsonaro entre 2016 e 2018 e convidou parlamentares aliados do Palácio do Planalto

  • Por André Siqueira
  • 02/11/2021 13h02
Pablo Valadares/Câmara dos DeputadosBibo Nunes (PSL-RS) foi eleito em 2018 na onda bolsonarista que tornou o PSL a segunda maior bancada da Câmara

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro negocia sua filiação com legendas do núcleo do Centrão, como Progressistas (PP), Partido Liberal (PL) e Republicanos, bolsonaristas eleitos pelo PSL em 2018 cogitam migrar para o Partido Social Cristão (PSC). A legenda, que possui 11 integrantes na Câmara dos Deputados, já convidou alguns parlamentares e espera abrigar os aliados do chefe do Executivo federal, que esteve filiado à agremiação entre 2016 e 2018. Outras siglas também monitoram a situação destes deputados, como é o caso do PTB, de Roberto Jefferson.

Pelo menos 20 dos 53 deputados do PSL pretendem deixar o partido. O plano A destes parlamentares é seguir Bolsonaro – alguns, inclusive, já foram sondados por legendas que disputam a filiação do presidente da República. Os deputados federais Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e Carla Zambelli (PSL-SP), por exemplo, têm sido cortejados pelo PP. Um fator, porém, atrapalha as negociações: embora tenham sido eleitos com uma quantidade expressiva de votos, o que é um atrativo do ponto de vista eleitoral, estes parlamentares são vistos como “radicais” por dirigentes partidários. As eventuais resistências precisarão ser superadas caso o mandatário do país escolha migrar para uma destas agremiações.

“Vou para um partido que apoie o presidente Bolsonaro. Um dos que me convidou foi o PSC”, disse à Jovem Pan o deputado federal Bibo Nunes (PSL-RS), integrante da tropa de choque bolsonarista na Câmara. Diferentemente de alguns integrantes do PSL, que pretendem aguardar a janela partidária, em março de 2022, para deixar a legenda, o parlamentar gaúcho quer definir o seu futuro em breve. “Espero sair antes [de março], tenho justa causa [em razão da fusão do PSL com o DEM]. Alguns querem ficar até março por causa das vagas nas comissões. Eu não pretendo esperar. Na comissão em que estou, a de regulamentação de jogos e cassinos, fui indicado pelo Podemos, então não me prejudico em nada”, explica Nunes.

A deputada Bia Kicis (PSL-DF), que também se reuniu com a cúpula do PL, diz que o PSC tem sido “muito receptivo” aos apoiadores de Bolsonaro. “O PSC é um partido que está oferecendo legenda aos apoiadores do presidente. Já conversei com o PSC, eles têm sido muito abertos, um partido muito receptivo. Em outros Estados, tem bastante gente conversando com o PSC. Eu gostaria de resolver o quanto antes. Gostaria que fossem comigo vários colegas de partido [PSL]. Não tomarei decisão sem acertar com eles”, disse à reportagem.