CPI: Diretor da Prevent Senior diz que ex-médicos ‘furtaram dados’ de pacientes

Pedro Batista tem insistido na tese de que médicos tinham ‘autonomia’ para prescrever medicamentos; depoente é questionado sobre denúncia de que empresa fraudava atestados de óbitos

  • Por Jovem Pan
  • 22/09/2021 13h17 - Atualizado em 22/09/2021 19h05
Edilson Rodrigues/Agência SenadoDiretor-executivo da Prevent Senior depõe à CPI da Covid-19 nesta quarta-feira, 22

Ouvido pela CPI da Covid-19 nesta quarta-feira, 22, Pedro Batista Júnior, diretor-executivo da Prevent Senior, disse que a operadora de saúde está sendo prejudicada pela ação de um casal de ex-médicos que teria manipulado dados de pacientes internados em hospitais da rede. Um dossiê enviado aos senadores, ao qual a Jovem Pan teve acesso, aponta que diretores da Prevent orientavam os funcionários a prescreverem o “kit-Covid”, composto por medicamentos comprovadamente ineficazes para o tratamento da Covid-19. Há, ainda, relatos de fraudes em atestados de óbitos.

“Esses fatos [contidos no dossiê] aconteceram porque um casal de médicos, desligados em junho de 2020, manipularam dados de planilha interna de acompanhamento, para tentar comprometer a operadora”, disse Batista Júnior. “O dossiê é uma peça de horror, realmente, produzido a partir de dados furtados sem qualquer autorização expressa, o que configura crime. Os dados precisaram ser manipulados para atacar uma empresa idônea. Sempre tentaram ferir a imagem [da Prevent] na imprensa, com denúncias anônimas e, posteriormente, procuravam o nosso jurícido buscando acordos”, disse.

Até aqui, a tônica do depoimento de Pedro Batista Júnior tem sido atribuir aos médicos da Prevent Senior a responsabilidade pela prescrição dos medicamentos aos pacientes. Ele tem insistido na tese de que os profissionais tinham “autonomia” para trabalhar. “Nunca houve kit, variavam as prescrições. Eram enviadas as medicações conforme a prescrição médica”, disse. Os senadores já exibiram um áudio no qual Pedro Batista coage um médico que denunciou as irregularidades na empresa. “Você tem muito a perder. Isso não é ameaça, é conselho. Olha as coisas que você está falando”, disse o diretor da Prevent ao profissional da empresa. Em resposta, o depoente afirmou que este funcionário “havia entrado em prontuário de pacientes e subtraído dados”.

Os parlamentares têm dito que a comissão tem um farto material capaz de provar que Pedro Batista Júnior está mentindo. As respostas do depoente, inclusive, causaram reação dos membros da CPI. “O senhor está mentindo. O senhor disse que ia falar a verdade, está dizendo que não tem tratamento precoce. O senhor não está falando a verdade. É de provocar muita indignação”, disse Rogério Carvalho (PT-SE), suplente da comissão. Júnior admitiu que, após 14 dias de internação, a Prevent mudava o código de Covid-19 para outra doença. “Essas pessoas não representavam mais risco para o hospital”, disse. “Eles consideram que, depois de 14, 21 dias, a pessoa infectada não tem mais Covid-19. Isso é uma fraude”, afirmou Humberto Costa (PT-PE). Carvalho e Costa são médicos de formação. “A Prevent é um plano macabro de mortes”, resumiu Renan Calheiros (MDB-AL). O colegiado tem uma série de denúncias que alegam que atestados de óbitos de pacientes internados na Prevent Senior foram fraudados para omitir a causa da morte.