‘Reação ao ataque a uma senadora não pode ser chamado de circo’, diz Omar Aziz 

Senadores iniciaram sessão da CPI desta quarta-feira com um desagravo à senadora Simone Tebet, chamada de ‘totalmente descontrolada’ pelo ministro Wagner Rosário, da CGU

  • Por Jovem Pan
  • 22/09/2021 11h18 - Atualizado em 22/09/2021 15h26
Edilson Rodrigues/Agência Senado - 09/06/2021Omar Aziz criticou a declaração do senador Marcos Rogério, que afirmou que reação dos parlamentares transformou CPI 'em um circo'

No início da sessão desta quarta-feira, 22, os senadores da CPI da Covid-19 fizeram um desagravo à senadora Simone Tebet (MDB-MS), alvo de um ataque machista feito pelo ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, na terça-feira, 21. Confrontado pela emedebista por documentos que apontam para uma suposta omissão do controlador-geral no caso da compra de 20 milhões de doses da vacina Covaxin, Rosário chamou Tebet de “descontrolada”. A declaração causou tumulto e resultou no encerramento da oitiva.

Presidente da CPI da Covid-19, o senador Omar Aziz (PSD-AM) fez críticas a Marcos Rogério (DEM-RO), sem citá-lo nominalmente. Na sessão da terça, enquanto os parlamentares cercaram a mesa da presidência da comissão, o senador do DEM ficou sentado em sua cadeira, falando ao microfone, dizendo que os colegas de Casa estavam “descontrolados” e transformando a comissão em “um circo”. Rogério foi prontamente repreendido pela senadora Leila Barros (Cidadania-DF). “Só as mulheres são descontroladas. Vocês dão show todo dia aqui. Menos, Marcos Rogério. Menos”, disse. Na sessão desta quarta, Leila disse que não se arrepende do que fez. “Faria mil vezes”, resumiu.

“Uma imagem vale mais do que mil palavras. Eu estava no meu gabinete e acompanhei toda a oitiva, vi a arrogância [do Wagner Rosário]. Tem o calor do jogo, é verdade, nem todos vão conseguir manter o autocontrole. Ele, em alguns momentos, se alterou com o relator, com outros senadores, mas com a Simone foi diferente. Para as pessoas que dizem que não foi, que nós exageremos nas nossas atitudes, peço para que revejam os seus pensamentos, para ver como são tratadas as mulheres, não só nessa Casa, mas nesse país. Não podemos tolerar isso. Não me arrependo do que fiz ontem. Faria mil vezes. Não aceito mais esse tipo de comportamento com nenhuma mulher. Não é porque tenho 1,80m, porque fui atleta. Não, é porque sou mulher e sofro isso na pele. Não podemos aceitar esse tipo de estratégia baixa”, afirmou Leila, ex-jogadora de vôlei da seleção brasileira.

“Se fosse eu o atacado, tudo bem. Mas a reação ao ataque a uma senadora não pode ser chamado de circo. Não pode. Há mulheres que não têm a representatividade política que a Simone tem. Mas muitas têm uma representativade familiar maior do que as mulheres que ocupam cargos eletivos. A mulher não pode ser desequilibrada porque se contrapõe a um homem. É facil dizer ‘está doida, está louca’. Evoluímos nisso mas ainda há pessoas nesse governo que involuíram em relação a isso”, disse Aziz. O vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), também criticou a postura de Marcos Rogério. “Uma das cenas mais tristes que vi ontem foi colega senador, enquanto todos os demais reagiam em solidariede à Simone, fazer coro com machista. Tem coisa que não tem dois lados. Quando ocorre o que aconteceu ontem, só tem um lado possível: o repúdio ao ataque. Só tem um lado, a indignação”, afirmou.

“O episódio triste de ontem nos revela que temos que avançar enquanto sociedade, superar os traços patriarcais e machistas. Quantos machos questionaram o ministro antes com a mesma firmeza da senadora Simone? Por que o ataque, o ‘totalmente descontrolada’ do senhor Rosário, foi para a primeira mulher que o questionou? O que um macho autoritário não aceita é uma mulher, diante dele, exibir posição de firmeza. Isso revela o traço presente na sociedade e que, lamentavelmente, é reproduzido pelo governo da República, pelo presidente e pelos seus ministros. Não adianta vir com desculpinha no Twitter, porque isso não mascara o machismo intrínseco presente nas atitudades do presidente e de seus filhos”, seguiu Randolfe.