Eleições 2020: Quem é Guilherme Boulos, candidato do PSOL à Prefeitura de SP

Professor e coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) é terceiro colocado nas pesquisas para prefeitura de São Paulo

  • Por André Siqueira
  • 18/10/2020 08h00 - Atualizado em 18/10/2020 10h18
ReproduçãoBoulos e Erundina concorrem à prefeitura de São Paulo pelo PSOL

Professor e coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, de 38 anos, é o candidato do PSOL à Prefeitura de São Paulo – sua companheira de chapa é a deputada federal Luiza Erundina (PSOL), que comandou a cidade entre 1989 e 1992. Há menos de um mês do primeiro turno do pleito municipal, Boulos aparece na terceira colocação das pesquisas de intenção de voto. Segundo o levantamento feito pelo Ibope, divulgado nesta quinta-feira 15, o candidato do PSOL tem 10% dos votos, atrás de Celso Russomano (Republicanos), com 25%, e o atual prefeito, Bruno Covas (PSDB), com 22%, empatados tecnicamente. Em 2018, aos 36 anos, o líder do MTST foi o candidato de seu partido à Presidência da República e ficou na 10ª colocação, com 617 mil votos. À época, se tornou o candidato mais jovem a concorrer ao Palácio do Planalto.

Boulos entrou para o movimento estudantil em 1997, como militante da União da Juventude Comunista. Cinco anos depois, ingressou no MTST, movimento que hoje coordena. Filho dos infectologistas Marcos Boulos e Maria Ivete Castro Boulos, formado em filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH-USP) e com um mestrado em psiquiatria na Faculdade de Medicina da USP, ganhou notoriedade por conta de seu envolvimento com as ocupações de imóveis que não cumprem a sua função social. Apesar da projeção política, filiou-se ao PSOL apenas em 2018, para disputar as eleições presidenciais.

Com a eleição do presidente Jair Bolsonaro, em 2018, os partidos de esquerda discutem a formação de uma frente ampla, capaz de aglutinar os principais nomes de oposição com o intuito de fortalecer candidaturas competitivas nas eleições. Apesar de muita articulação, os esforços esbarram em atritos internos que inviabilizam a costura destes acordos. Em São Paulo, por exemplo, Boulos compete o ex-secretário de Transportes da cidade, Jilmar Tatto, candidato do PT nestas eleições. Mesmo com o apoio de Lula, Tatto ainda patina nas pesquisas e viu nomes historicamente ligados ao petismo, como Caetano Veloso, Chico Buarque e a escritora Marilena Chaui, assinaram um manifesto em apoio à chapa do PSOL. Em entrevista à Jovem Pan, Boulos evitou tecer comentários sobre as dificuldades para a formação de uma candidatura única no campo da esquerda, mas afirmou que ele e Erundina são os únicos capazes de derrotar “esta tragédia que é o Bolsodoria”. A declaração faz alusão ao apoio do presidente Jair Bolsonaro à candidatura de Celso Russomano (Republicanos) e ao apoio do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), ao seu correligionário Bruno Covas

Com apenas 17 segundos de tempo de TV no horário eleitoral gratuito, Boulos aposta nas redes sociais para angariar votos. Na sexta-feira 9, o candidato realizou a “Virada com Boulos”, uma live de 24h para falar de propostas e mostrar um pouco de sua rotina. O programa teve mais de um milhão de visualizações e gerou publicações com a hashtag #BigBoulosBrasil, em referência ao reality show Big Brother Brasil. “É uma disputa muito desigual, é Davi contra Golias. Tenho 17 segundos na TV, Covas e Russomano têm um verdadeiro latifúndio. O espaço que temos para dialogar com a cidade e apresentar nossas propostas é a rede social”, afirma.