Fabiano Contarato responde à fala homofóbica do depoente: ‘Sua família não é melhor que a minha’

Parlamentar, que é casado com um homem e tem dois filhos, pediu que Polícia Legislativa do Senado investigue empresário Otávio Fakhoury pelo crime de homofobia

  • Por Jovem Pan
  • 30/09/2021 12h12 - Atualizado em 30/09/2021 18h13
Roque de Sá/Agência SenadoSenador Fabiano Contarato (Rede-ES) não integra a CPI da Covid-19, mas participa frequentemente das sessões

Após a fala inicial do empresário Otávio Fakhoury, ouvido nesta quinta-feira, 30, pela CPI da Covid-19, o senador Fabiano Contarato (Rede-ES) assumiu momentaneamente a presidência do colegiado e, emocionado, fez um duro pronunciamento contra o depoente, que fez uma publicação homofóbica contra o parlamentar em seu perfil no Twitter. Delegado da Polícia Civil e eleito para o mandato em 2018, Contarato é homossexual.

No dia 12 de maio de 2021, quando o ex-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) Fábio Wajngarten depôs à CPI, Contarato foi ao Twitter justificar por que havia pedido a prisão do depoente. “Fábio Wajngarten tem que sair preso da CPI. Há estado flagrancial configurado. Cúmplice de Bolsonaro, ele mentiu e omitiu a verdade sobre a criminosa gestão que tem no Planalto o principal aliado do coronavírus”, escreveu o senador. Por um erro de digitação, a palavra flagrancial foi substituída por “fragrancial”. Fakhoury, então, replicou a postagem com um ataque de cunho homofóbico. “O delegado, homossexual assumido, talvez estivesse pensando no perfume de alguma pessoa ali daquele plenário. Quem seria o ‘perfumado’ que lhe cativou?”, escreveu o empresário (veja abaixo).

Postagem exibida em transmissão da TV Senado

Publicação de cunho homofóbico foi exibida na sessão desta quinta-feira, 30, da CPI da Covid-19

“Qual imagem o senhor vai deixar para os seus filhos? O senhor pode ter todo o dinheiro do mundo. Eu tenho uma vida modesta, com muito orgulho. Mas quero que eles tenham a certeza de que eu lutei e vou continuar lutando para reduzir a desigualdade. Eu não poderia deixar de me pronunciar. Se o senhor faz isso comigo enquanto senador, imagina em um Brasil que mais mata a população LGBTQIA+. O mínimo que deveria fazer era pedir desculpas, não só a mim, mas a toda a população LGBTQIA+. Assim como Martin Luther King tinha um sonho, eu também tenho um sonho. Sonho com o dia em que eu não vou ser julgado pela minha orientação sexual, com o dia em que meus filhos não serão julgados por serem negros, com o dia em que minha irmã não será julgado por ser mulher e com o dia em que meu pai não será julgado por ser idoso. O senhor é a típica pessoa que retrata o presidente da República, que fala em família tradicional. Mas a minha família não é pior do que a sua. A mesma certidão de casamento que o senhor tem, eu tenho. O senhor fala na pátria, na legalidade, na moralidade, mas é o principal violador desses princípios”, disse Contarato. O senador requereu que uma cópia da postagem fosse remetida à Polícia Legislativa, para que seja apurado se houve crime de homofobia. A CPI pedirá ao Ministério Público Federal (MPF) a investigação de Fakhoury pelo crime de homofobia.

Em resposta, Fakhoury disse que fez um comentário “infeliz” em tom de “brincadeira”. O empresário pediu desculpas a Contarato e “a todos que se sentiram ofendidos”. “Meu comentário foi infeliz, em tom de brincadeira. Porém, é brincadeira de mau gosto. Respeito a sua família como respeito a minha. Tenho amigos de todos os lados. Portanto, declaro que meu comentário não teve a intenção de lhe ofender. Peço desculpas e me retrato desse comentário infeliz”, afirmou. “Ninguém é perfeito, mas uma das condições da pessoa cristã é reconhecer o erro e pedir perdão. Entendo como isso possa ter lhe ofendido. Me retrato diante de todos e peço desculpas a todos que se sentiram ofendidos”, acrescentou.