‘Gabinete paralelo’ e compra de vacinas: a semana de depoimentos da CPI da Covid-19

Senadores vão ouvir Osmar Terra (MDB-RS) e Filipe Martins, apontados como membros do suposto grupo que atuava às sombras do Ministério da Saúde, e o sócio da empresa que intermediou a aquisição da Covaxin

  • Por André Siqueira
  • 21/06/2021 12h21 - Atualizado em 21/06/2021 16h35
Marcos Corrêa/PRConselheiro de Bolsonaro na área da saúde, Osmar Terra será ouvido na terça-feira, 22, na condição de convidado

Depois de depoimentos adiados e de sessões marcadas por bate-boca, a CPI da Covid-19 entra em sua oitava semana de trabalhos mirando o funcionamento do chamado gabinete paralelo ao Ministério da Saúde e o processo de compra de imunizantes contra o coronavírus. O cronograma marcado pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da comissão, prevê as oitivas do deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), Francisco Emerson Maximiano, sócio da Precisa Medicamentos, empresa investigada por intermediar a compra da Covaxin, Filipe Martins, assessor da Presidência para assuntos internacionais, Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional e representante do Movimento Alerta, e Pedro Hallal, epidemiologista, pesquisador e professor da Universidade Federal de Pelotas.

Conselheiro do presidente Jair Bolsonaro para a área da saúde, Osmar Terra será ouvido nesta terça-feira, 22. O deputado federal é considerado mentor do chamado gabinete paralelo de assessoramento ao Palácio do Planalto para a definição de políticas de enfrentamento à crise sanitária. O parlamentar aparece em um vídeo no qual o virologista Paolo Zanotto sugere a criação de um “shadow cabinet” (gabinete das sombras, em tradução livre). O requerimento de convocação de Terra, inclusive, foi aprovado após a divulgação desta gravação. No entanto, em razão de um pedido do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), o emedebista será ouvido na condição de convidado. Neste caso, ele pode não comparecer à comissão e tem o direito de se retirar a qualquer momento. Apesar da incerteza envolvendo a sua presença, é grande a expectativa entre os membros da CPI. Em coletiva de imprensa na sexta-feira, 18, o vice-presidente do colegiado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), se referiu a Terra como “ministro” do gabinete paralelo.

Na quarta-feira, 23, está marcado o depoimento de Francisco Emerson Maximiano, da Precisa Medicamentos. A empresa está na mira da CPI da Covid-19 em razão da compra da Covaxin. O governo federal disponibilizou mais de R$ 1,6 bilhão para a aquisição de 20 milhões de doses de um imunizante, fabricado pela farmacêutica inidiana Bharat Biotech, que foi aprovado com restrições pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no início do mês. Além disso, os senadores querem entender por que esta é a vacina mais cara comprada pelo Executivo federal. Na quarta-feira, 16, a comissão aprovou as quebras de sigilo telefônico, telemático e fiscal de Maximiano.

Na quinta-feira, 24, a CPI vai ouvir Filipe Martins. Em seu depoimento, Carlos Murillo, ex-CEO da Pfizer na América Latina, disse que o assessor participou de uma reunião com representantes da farmacêutica ao lado do ex-chefe da Secom Fábio Wajngarten e o vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro. Os requerimentos que pediam a convocação de Martins foram apresentados pelos senadores Humberto Costa (PT-PE), Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Rogério Carvalho (PT-SE). Por fim, na sexta-feira, 25, os senadores receberão Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional e representante do Movimento Alerta, e Pedro Hallal, epidemiologista, pesquisador e professor da Universidade Federal de Pelotas, para uma audiência pública.