Governadores firmam compromisso de manter polícias ‘nos trilhos da lei’

Acordo foi costurado no mesmo dia em que o governo de São Paulo anunciou o afastamento de um coronel da PM que convocou manifestantes para o ato bolsonarista do dia 7 de setembro nas redes sociais

  • Por André Siqueira
  • 23/08/2021 14h19 - Atualizado em 23/08/2021 18h23
Governo do Estado do Piauí/ReproduçãoAgenda que reuniu 24 governadores foi convocada para debater a conjuntura atual e a crise institucional

Na reunião do Fórum dos Governadores, que ocorreu na manhã desta segunda-feira, 23, no Palácio Buriti, sede do governo do Distrito Federal, os governadores também firmaram o compromisso de manter as polícias “nos trilhos da lei”. Segundo apurou a Jovem Pan, os gestores estaduais que fazem oposição ao governo do presidente Jair Bolsonaro alertaram os colegas do risco de uma “bolsonarização” da corporação. O acordo foi costurado no mesmo dia em que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), decidiu afastar o coronel da Polícia Militar Aleksander Toaldo Lacerda, que fez uma convocação para a manifestação bolsonarista do dia 7 de setembro. “Liberdade não se ganha, se toma. Dia 7/9 eu vou”, dizia uma publicação em seu perfil no Facebook. Em outro post, o militar divulgou uma montagem, na qual descreve Doria, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e quatro integrantes da CPI da Covid-19 – os senadores Omar Aziz (PSD-AM), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Renan Calheiros (MDB-AL) e Humberto Costa (PT-PE)– como “cepas indianas”, em alusão a uma variante do novo coronavírus. Além de convocar os militantes, o coronel fez ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF).

As manifestações do coronel Lacerda nas redes sociais foram reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo. Em nota, o governo paulista confirmou a decisão de afastá-lo. “A Polícia Militar do Estado de São Paulo informa que o coronel Aleksander Toaldo Lacerda foi afastado das suas funções à frente do Comando de Policiamento do Interior-7”, informou o Palácio dos Bandeirantes. A PM, por sua vez, afirmou que é uma instituição “legalista”, que tem “o dever e a missão de  defender a Constituição e os valores democráticos do País”. Como a Jovem Pan mostrou, os gestores estaduais também decidiram convocar o presidente Jair Bolsonaro para uma reunião. Coordenador do Fórum dos Governadores, Wellington Dias (PT), do Piauí, afirmou, no encontro, que o grupo seguirá aberto ao diálogo. “Vamos buscar o diálogo, criar um ambiente de serenidade, de confiança, de estabilidade, de previsibilidade no Brasil”, disse o petista. “Aprovamos também por parte dos Estados um compromisso de que as polícias dos Estados estarão atuando na forma e nos limites da Constituição e da lei. É um compromisso do Fórum dos Governadores com o Brasil”, acrescentou, em coletiva de imprensa depois do encontro.

Participaram da agenda os governadores do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB); do Piauí, Wellington Dias (PT); de Rondônia, Coronel Marcos Rocha (PSL); do Acre, Gladson Cameli (PP); de Alagoas, Renan Filho (MDB); do Amapá, Waldez Goés (PDT); da Bahia, Rui Costa (PT); do Ceará, Camilo Santana (PT); do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB); de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM); do Maranhão, Flávio Dino (PSB); do Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM); do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB); de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); do Pará, Helder Barbalho (MDB); da Paraíba, João Azevedo (Cidadania); de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB); do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB); de Roraima, Antonio Denarium (PSL); de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL); de São Paulo, João Doria (PSDB); do Rio de Janeiro, Claudio Castro (PL); do Sergipe, Belivaldo Chagas (PSD), além dos vice-governadores do Rio Grande do Norte, Antenor Roberto (PCdoB) e do Paraná, Darci Piana (PSD). Dos 27 governadores, somente dois não participaram: o do Tocantins, Mauro Carlesse (PSL) e o do Amazonas, Wilson Lima (PSC).