Joice Hasselmann entra com ação para deixar o PSL

Rompida politicamente com o clã Bolsonaro desde que foi substituída do cargo de líder do governo no Congresso, parlamentar afirma estar sendo perseguida pelo presidente do partido, Luciano Bivar

  • Por André Siqueira
  • 14/06/2021 17h45
Maryanna Oliveira/Câmara dos DeputadosJoice também criticou acordo costurado entre bolsonaristas e bivaristas envolvendo a eleição da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados

A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) entrou com uma ação, nesta segunda-feira, 14, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para deixar o PSL, partido pelo qual se tornou a segunda mais votada nas eleições de 2018, atrás apenas do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), por justa causa. Rompida politicamente com o presidente Jair Bolsonaro desde quando foi substituída do cargo de líder do governo no Congresso, a parlamentar alega sofrer perseguição política interna, sobretudo pelo presidente da sigla, Luciano Bivar, com quem já teve desentendimentos públicos. No pedido apresentado à Justiça Eleitoral, Joice afirma que foi “excluída dos grupos decisórios e retirada sumariamente dos espaços de atuação política” que ocupava antes do atrito com aliados do chefe do Executivo federal.

A ação pede “reconhecimento de justa causa para desfiliação e consequente filiação a outro partido que reconheça o que lhe trouxe uma deputada federal de 1 milhão de votos, retribuindo-lhe a fidelidade partidária com que a filiada sempre tratou o partido, mas não recebeu de volta, especialmente após a eleição da Câmara [dos Deputados]”. À época, Bivar foi eleito para o cargo de 1º Secretário da Mesa Diretora, em uma costura que garantiu à ala bolsonarista do PSL a liderança do partido na Casa – o posto é atualmente ocupado pelo deputado federal Major Vitor Hugo (PSL-GO), um dos principais aliados de Bolsonaro no Congresso Nacional. Em uma série de publicações em seu perfil no Twitter, Joice Hasselmann afirma que a sigla “virou a representação do que há de pior na política”. “O PSL não só manteve a escória bolsonarista em seus quadros, mas entregou o coração da legenda”, acrescentou.