Luis Miranda pede prisão de Onyx Lorenzoni e Elcio Franco à CPI da Covid-19

Deputado federal, que será ouvido pela comissão nesta sexta-feira, 25, também pede que PGR apure se ‘ameaça’ do ministro foi feita ‘a mando’ do presidente Jair Bolsonaro

  • Por André Siqueira
  • 24/06/2021 14h24 - Atualizado em 24/06/2021 19h03
Pablo Valadares/Câmara dos DeputadosDeputado Luís Miranda (DEM-DF)

O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) encaminhou, nesta quinta-feira, 24, um ofício ao presidente da CPI da Covid-19, Omar Aziz (PSD-AM), para requerer a prisão do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, e do assessor especial da Casa Civil, Elcio Franco. O documento foi obtido pela Jovem Pan. O parlamentar e seu irmão, Luís Ricardo Miranda, servidor concursado do Ministério da Saúde, serão ouvidos pela comissão nesta sexta-feira, 25. Em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), o funcionário da pasta disse ter sofrido “pressão anormal” para agilizar a compra da vacina Covaxin. Em pronunciamento, na noite da quarta-feira, Lorenzoni anunciou que o presidente Jair Bolsonaro determinou que a Polícia Federal (PF) investigue a conduta dos irmãos.

No documento, o deputado do DEM também pede que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apure se a “ameaça” foi feita a mando de Bolsonaro. “Cientes de que toda a máquina estatal foi conclamada pelo ministro Onyx com o intuito de mostrar força e ameaçar as testemunhas convidadas por essa CPI, serve a presente para querer que se digne Vossa Excelência determinar a prisão de ambos, o Sr. Onyx Lorenzoni e o assessor da Casa Civil Élcio Franco, que deverão ser processados sob as penas do art. 344 do Código Penal brasileiro, bem como determinar que a Procuradoria-Geral da República venha a apurar se os autores da ameaça o fizeram a mando do presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, que foi citado como o ‘traído'”, diz um trecho do ofício.

Luis Miranda também afirma que “o momento escolhido” pelo governo para rebater a denúncia feita pelo servidor do Ministério da Saúde “tem a ver diretamente com o intuito de coagir e reprimir as atividades dessa CPI com a perversão do devido processo legal, isto é, de prejudicar a espontaneidade de nossos depoimentos”. No ofício, o parlamentar cita passagens do pronunciamento de Onyx Lorenzoni. À imprensa, o ministro da Secretaria-Geral disse o deputado “vai pagar na Justiça”, “traiu o presidente Jair Bolsonaro” e “se junta a todo mal que há na política brasileira”.