Entramos tarde no combate ao desmatamento, reconhece Mourão

Segundo o vice-presidente, o governo federal tem um plano de diminuir os níveis de desmatamento ainda em 2020

  • Por Jovem Pan
  • 04/09/2020 12h16
Alan Santos / PRMourão também reconheceu que o papel das Forças Armadas no combate ao desmatamento é apoiar os órgãos ambientais na fiscalização

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, reconheceu as dificuldades do governo na área ambiental em relação às queimadas e ao desmatamento da Amazônia. “Nós entramos tarde no combate ao desmatamento”, disse nesta sexta-feira, 4, durante o evento Retomada Verde, do Estadão. O vice-presidente, que também preside o Conselho Nacional da Amazônia Legal, afirmou que tem agido para mudar a imagem da política ambiental do governo no exterior, onde a gestão Jair Bolsonaro é alvo de críticas. De acordo com ele, a Operação Verde Brasil 2, que usa as Forças Armadas no combate ao desmatamento, só “entrou pra valer no terreno” na segunda semana de junho deste ano, mas o governo federal tem um plano de diminuir os níveis de desmatamento ainda em 2020. Ele ainda destacou que esse aumento do esforço para frear a devastação da floresta coincidiu com a crise causada com a pandemia do novo coronavírus. “O objetivo é chegarmos com o desmatamento e as queimadas abaixo da média ou dos mínimos históricos que já tivemos anteriormente”, afirmou.

Mourão também reconheceu que o papel das Forças Armadas no combate ao desmatamento é apoiar os órgãos ambientais na fiscalização. “O Exército não assumiu nada, mas [atua] dando apoio para que Ibama e ICMbio possam exercer suas atividades”, disse, lembrando que os dois órgãos têm sofrido com equipes reduzidas nos últimos anos. O vice-presidente defendeu a participação das empresas na defesa da Amazônia. “É fundamental que o setor privado trabalhe lado a lado”, disse. A tarefa do governo, acrescentou, “é criar um ambiente de negócios estável, amigável, desregulando, desburocratizando”, além de dar “segurança política” aos investidores. Ainda segundo ele, é preciso que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, aperfeiçoe suas ferramentas para monitorar o desmate. “O trabalho do Inpe não usa inteligência artificial“, disse. O monitoramento da perda de cobertura vegetal feito pelo instituto tem sido questionado por integrantes do governo Bolsonaro desde o ano passado.

*Com Estadão Conteúdo