Na CPI da Covid-19, especialistas dizem que isolamento social poderia ter evitado 120 mil mortes

Epidemiologista Pedro Hallal também citou estudo que estimou que compra célere da CoronaVac e da vacina da Pfizer salvaria 95 mil vidas

  • Por Jovem Pan
  • 24/06/2021 18h07 - Atualizado em 24/06/2021 18h44
Jefferson Rudy/Agência SenadoPedro Hallal e Jurema Werneck foram ouvidos nesta quinta-feira, 24

Na sessão da CPI da Covid-19 desta quinta-feira, 24, o epidemiologista Pedro Hallal e a representante do Movimento Alerta, Jurema Werneck, afirmaram que o incentivo às medidas de isolamento social e a compra célere de vacinas contra o coronavírus poderiam ter salvo, respectivamente, 120 mil e 95 mil mortes causadas pela doença. Os especialistas foram ouvidos a pedido do relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL). Para estimar o cálculo, Hallal, professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), considerou os atrasos para a aquisição da CoronaVac e do imunizante da Pfizer.

“Nós fizemos uma análise que estimou que especificamente o atraso na compra das vacinas da Pfizer e da CoronaVac resultou em 95,5 mil mortes. E logo depois, outros pesquisadores analisaram os dados não especificamente dessas vacinas, mas o ritmo da campanha de vacinação que teria sido, caso tivéssemos adquirido, e eles estimaram 145 mil mortes especificamente pela falta de aquisição de vacinas tempestivamente pelo governo federal”, disse Hallal. O epidemiologista também comentou a possibilidade, aventada pelo presidente Jair Bolsonaro, de o Ministério da Saúde desobrigar o uso de máscaras de proteção. Ele citou o fato de o Brasil ter vacinado menos de 12% de sua população com as duas doses para dizer que este “não é o momento” adequado para esta flexibilização. Em países onde o uso de máscaras não é obrigatório, como os Estados Unidos, por exemplo, mais de 40% das pessoas foram completamente imunizadas.

Jurema Werneck também afirmou que as medidas de isolamento social poderiam ter evitado a morte de 120 mil mortes causadas pela Covid-19. Até o momento, o Brasil registrou mais de 507 mil óbitos. De acordo com a representante do Movimento Alerta, reduzir a circulação de pessoas diminui em 40% o potencial de transmissão do vírus. A pesquisadora também apresentou dados que mostram que o primeiro ano da pandemia causou 305 mil mortes em excesso. “São casos de Covid-19, mortes causadas diretamente pela Covid-19 e mortes causadas indiretamente pela presença da pandemia. Ou seja, pessoas que retardaram a busca de ajuda ou buscaram ajuda e o serviço [de saúde] estava sobrecarregado”, disse.

No momento em que o Brasil vive um agravamento da crise sanitária – nesta quarta-feira, 23, segundo boletim do Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Saúde (Conass), o país registrou mais de 115 mil novos casos, um recorde desde o início da pandemia –, Pedro Hallal apontou duas medidas que, em sua avaliação, deveriam ser adotadas para “colocar os números no chão”: vacinar, em média, 1,5 milhão de pessoas por dia, e adotar um lockdown por três semanas. “O Brasil precisa parar, integralmente, por três semanas”, disse. “Em muitos momentos foi dito que precisávamos nos preocupar com desemprego, economia e saúde pública. Isso é baseado na falsa premissa de que existe competição entre saúde e economia. Experiências anteriores mostram que não existe recuperação econômica sem controle da pandemia. Se o Brasil tivesse adotado medidas mais restritivas de curta duração, o Brasil teria situação sanitária e econômica muito melhor do que o modelo que adotamos, que é de medidas flexíveis e de longa duração”, acrescentou, em outro momento da sessão.